Embates da Revista Fundamentos com a Abstração

da intransigência à tentativa de compreensão

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/modos.v5i1.8664177

Palavras-chave:

Bienal de São Paulo, Abstração, Revista Fundamentos, Crítica de Arte, Colonialismo.

Resumo

Este texto reflete sobre os embates travados por intelectuais de esquerda, defensores do realismo, contra a linguagem abstrata e a sua premiação na I Bienal Internacional de São Paulo (1951), com base nas matérias publicadas na Revista Fundamentos, fundada em São Paulo (1948) por Monteiro Lobato. As críticas eram dirigidas também ao empresário Francisco Matarazzo Sobrinho (1898-1977), fundador do Museu de Arte Moderna de São Paulo e da Bienal, e ao norte-americano Nelson Rockefeller (1908-1979), ligado ao Museu de Arte Moderna de Nova York. Os colaboradores da revista suspeitavam que o apoio do empresário estrangeiro às instituições culturais brasileiras empanasse outros propósitos: aproximar-se do governo brasileiro, visando ampliar aqui seus negócios e lucros; submeter antidemocraticamente a área artística e cultural à política expansionista e colonialista da Guerra Fria, inaugurando um inusitado ciclo de debates no Brasil.

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Biografia do Autor

Almerinda Silva Lopes, Universidade Federal do Espírito Santo

Doutora em Artes Visuais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e Universidade de Paris I. Professora Titular da Universidade Federal do Espírito Santo.

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Publicado

2021-02-09

Como Citar

LOPES, A. S. Embates da Revista Fundamentos com a Abstração: da intransigência à tentativa de compreensão. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 5, n. 1, p. 291–310, 2021. DOI: 10.20396/modos.v5i1.8664177. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8664177. Acesso em: 6 dez. 2022.

Edição

Seção

Dossiê - Arte abstrata no Brasil: novas perspectivas

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