Antiaula vanguardista

a superação de plano, página e palco na poética de Lygia Pape

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DOI:

https://doi.org/10.20396/modos.v5i1.8664220

Palavras-chave:

Lygia Pape, Movimento concreto e neoconcreto, Xilogravuras, Livros neoconcretos, Balés

Resumo

Tomando como ponto de partida exercícios de desenho que Lygia Pape passava aos seus alunos, este artigo passa em revista a trajetória da artista entre os anos 1950 e o final dos anos 1960, enfocando três diferentes categorias que entram em questão na medida em que a artista vai expandindo seu repertório de meios: o plano (em sua gravura concreta), a página (em seus livros neoconcretos) e o palco (em seus balés). Ao tomar o questionamento da estabilidade convencional dessas três categorias como facetas de um mesmo movimento crítico, sustentamos, em primeiro lugar, que advém daí um nexo de coerência na obra de Pape irredutível à ideia de linguagem artística ou estilo. Além disso, buscamos situar a exata articulação entre este movimento crítico e a expansão ambiental de sua obra a partir de meados dos anos 1960.

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Biografia do Autor

Sérgio B. Martins, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Professor do Departamento de História da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. 

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Publicado

2021-02-02

Como Citar

MARTINS, S. B. Antiaula vanguardista: a superação de plano, página e palco na poética de Lygia Pape. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 5, n. 1, p. 148–158, 2021. DOI: 10.20396/modos.v5i1.8664220. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8664220. Acesso em: 6 dez. 2022.

Edição

Seção

Dossiê - Arte abstrata no Brasil: novas perspectivas