A condição precária da arte ou a insuficiência da obra
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Palavras-chave

Corpo
Raça
Gênero
Arte contemporânea
Precariedade

Como Citar

COSTA, Luiz Cláudio da. A condição precária da arte ou a insuficiência da obra. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 8, n. 1, p. 185–204, 2024. DOI: 10.20396/modos.v8i1.8673779. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8673779. Acesso em: 25 abr. 2024.

Resumo

Meu objetivo com este artigo não são os artistas considerados vulneráveis no que tange à possibilidade de participação em coleções museográficas. Tampouco pretendo trabalhar acervos em condições de fragilidade no que tange sua proteção e conservação. Viso construir caminhos para uma teoria da arte alicerçada na vulnerabilidade de todo corpo, incluindo a obra, perpassada pelo fora, pela diferença, pela alteridade. Meu intuito é elaborar uma certa poética crítica na contemporaneidade que, sob a perspectiva da precariedade – vulnerabilidade de toda fronteira que faz conectar o dentro e o fora –, apresenta alternativas à lógica da individuação – seja relativa à obra, ao sujeito ou à comunidade. O termo “precariedade” apareceu nos discursos de artistas dos anos 1960 e 1970 no Brasil. Tomo como ponto de partida o pensamento e o trabalho de Lygia Clark que usou a palavra em 1963, mas abordo outras produções da década de 1970, chegando até os dias atuais. Parte-se do entendimento de que a obra de arte em sua condição precária apresenta a incerteza do processo, as falhas da expressão, os embaraços do tempo, exibindo ainda as marcas e os rastros das materialidades como sintoma de um movimento permeável entre a exterioridade e a interioridade, o que mostra um descentramento do “eu”.

 

https://doi.org/10.20396/modos.v8i1.8673779
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