Letramento

é possível uma escrita despida da oralidade?

Autores

Palavras-chave:

Letramento, Oralidade, Língua, Ensino.

Resumo

Com base na teoria discursiva do letramento e na análise de discurso de matrizfrancesa (pecheutiana), discutimos como circula a oralidade no contexto escolar;problematizamos a negação dessa modalidade discursiva em livros didáticos,programas oficiais de ensino e atividades pedagógicas, bem como nos dizeres deprofessores do ensino fundamental. Destacamos o não reconhecimento da autoriaem textos orais e, ainda, a violência simbólica presente na recusa em aceitar aoralidade como uma modalidade legítima de língua, de instalação de autoria e desubjetividade. Defendemos um trabalho pedagógico que se valha de fatos, pessoase rotinas conhecidos dos alunos, a fim de que possam transferir esse conhecimentopara a escrita, o que pode funcionar como um disparador capaz de superar adistância entre as formas escritas e orais da língua.

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Biografia do Autor

Leda Verdiani Tfouni, Universidade de São Paulo

Doutora em Ciências (Linguística) pela Universidade Estadual de Campinas IEL).

         

Filomena Elaine Paiva Assolini, Universidade de São Paulo

Pós-doutora em Linguística pela UNICAMP, doutora em Ciências, pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, FFCLRP-USP - (2003).

         

Anderson de Carvalho Pereira, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Professor Titular do Departamento de Ciências Humanas, Educação e Linguagem (Itapetinga-BA).

         

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Publicado

2020-01-08

Como Citar

TFOUNI, L. V.; ASSOLINI, F. E. P.; PEREIRA, A. de C. Letramento: é possível uma escrita despida da oralidade?. Pro-Posições, Campinas, SP, v. 30, p. 1-21, 2020. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/view/8658046. Acesso em: 30 out. 2020.

Edição

Seção

Artigos