Crianças agitadas/desatentas

modelos de explicação

Autores

Palavras-chave:

Atenção, Educação, Ensino fundamental, Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade

Resumo

Este artigo apresenta diferentes perspectivas teóricas que dizem respeito às crianças vistas como agitadas e desatentas na escola. Foram identificadas duas abordagens: uma predominantemente biológica e outra predominantemente social. Na primeira abordagem, a agitação e a desatenção são caracterizadas como alterações situadas no indivíduo, com base biológica, e descritas como sintomas do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), uma doença mental. Na segunda abordagem, o foco é deslocado para o contexto psicológico, educacional, social, histórico e cultural, e suas influências sobre o processo de desenvolvimento humano. São discutidos conceitos de normalidade e suas implicações sociais. É apresentada uma visão crítica à crescente medicalização do processo de ensinoaprendizado e à transformação de problemas coletivos em problemas individuais, de modo a eximir as instituições de suas responsabilidades. Inspirada na  perspectiva histórico-cultural, é proposta uma visão integradora, que abranja escola, família e sociedade, expandindo possibilidades de planejamento e atuação educacional e social.

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Biografia do Autor

Izabel Penteado Dias da Silva, Universidade Estadual de Campinas

Mestrado em Saúde, Interdisciplinaridade e Reabilitação pela Universidade Estadual de Campinas.

Cecilia Guarnieri Batista, Universidade Estadual de Campinas

Doutorado em Psicologia (Psicologia Experimental) pela Universidade de São Paulo. Pós-Doutorado pela
Universidade Estadual de Campinas. Professora colaboradora do Departamento de Desenvolvimento Humano e Reabilitação-Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas.

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Publicado

2020-01-20

Como Citar

SILVA, I. P. D. da; BATISTA, C. G. Crianças agitadas/desatentas: modelos de explicação. Pro-Posições, Campinas, SP, v. 31, p. e20170184, 2020. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/view/8660668. Acesso em: 25 set. 2021.

Edição

Seção

Artigos