Avaliação microbiológica de fórmulas infantis manipuladas em Unidade Centralizada de Produção

Autores

  • Andrea da Costa Pereira Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Michelle Salies Boucinhas Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro
  • Emanuele de Matos Nasser Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
  • Juliana Flores Silva Universidade Federal Fluminense
  • João Carlos Mattos Silva Peixoto Terapia Nutricional e Comércio - GAN
  • Marcia Caetano Jandre Terapia Nutricional e Comércio - GAN

DOI:

https://doi.org/10.20396/san.v20i2.8634602

Palavras-chave:

Fórmulas infantis. Microrganismos. Neonatologia. Pediatria. Processo.

Resumo

A contaminação dos alimentos servidos nos hospitais pode ocorrer durante o preparo, transporte, armazenamento e administração. As fórmulas infantis à base de leite são produtos, líquidos ou em pó, destinados à alimentação de crianças ou recém-nascidos quando não puder ser utilizado o leite materno ou humano. No hospital, essas fórmulas são geralmente manipuladas no lactário ou em Unidades Centralizadas de Produção terceirizadas. A manipulação de fórmulas infantis deve receber atenção especial considerando que os pacientes a quem são destinados são, geralmente, mais suscetíveis a infecções, a desidratação e suas conseqüências. O objetivo do estudo consistiu em avaliar a carga microbiana de fórmulas infantis segundo parâmetros da RDC 63 e RDC 12 em diferentes intervalos de tempo e faixas de temperatura por até 40 horas após o preparo. Os resultados mostraram que fórmulas preparadas em condições higiênicas sanitárias adequadas garantem a qualidade final das formulações por até 40 horas após o horário de preparo, quando mantidas sob-refrigeração com temperaturas entre 2 a 80 C. E, as formulações podem ficar até 6 horas à temperatura ambiente média de 23 a 250 C. Podemos concluir que este estudo ratificou a necessidade da aplicação efetiva de pré-requisitos higiênico-sanitários utilizados durante a cadeia produtiva de preparo das fórmulas infantis para lactentes resultando em um produto seguro do ponto de vista microbiológico.

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Biografia do Autor

Andrea da Costa Pereira, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Mestre em Ciências Médicas pelo programa de Pós Graduação em Nutrologia da UFRJ, Especialista em Terapia Nutricional Enteral e Parenteral pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, Especialista em Nutrição Clínica pela UGF.

Michelle Salies Boucinhas, Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Especialista em Terapia Nutricional Enteral e Parenteral pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro.

Emanuele de Matos Nasser, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Mestre em Ciência e Tecnologia de alimentos pela UFRRJ, Especialista em Terapia Nutricional pela UERJ.

Juliana Flores Silva, Universidade Federal Fluminense

Especialista em Nutrição Clínica pela UFF.

João Carlos Mattos Silva Peixoto, Terapia Nutricional e Comércio - GAN

Mestre em Medicina – Nutrologia e Diretor de Pesquisa do TNC-GAN.

Marcia Caetano Jandre, Terapia Nutricional e Comércio - GAN

Mestre em Medicina – Nutrologia e Diretora Executiva do TNC-GAN.

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Publicado

2013-02-11

Como Citar

1.
Pereira A da C, Boucinhas MS, Nasser E de M, Silva JF, Peixoto JCMS, Jandre MC. Avaliação microbiológica de fórmulas infantis manipuladas em Unidade Centralizada de Produção. Segur. Aliment. Nutr. [Internet]. 11º de fevereiro de 2013 [citado 18º de outubro de 2021];20(2):260-74. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/san/article/view/8634602

Edição

Seção

Artigo de Segurança Alimentar e Nutricional