Qualidade físico-química e detecção de resíduos e contaminantes no mel – estudo de caso

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/san.v23i1.8645954

Palavras-chave:

Alimento. Contaminantes. Físico-químico. Inocuidade alimentar. Mel. Resíduos

Resumo

A intensificação de análises oficiais no controle de qualidade de mel por parte do Serviço de Inspeção Federal nos últimos anos possibilitou o reconhecimento do mel brasileiro no mercado internacional, tornando o Brasil um dos maiores exportadores do mundo. Neste contexto, o atual estudo reportou os parâmetros físico-químicos e detecção de resíduos e contaminantes analisados como forma de monitoramento de qualidade do mel em dois entrepostos do Estado de São Paulo. Para a realização dos ensaios adotou-se as diretrizes e métodos recomendados pelo Ministério da Agricultura para cada uma das variáveis. Com referência aos parâmetros físicoquímicos, as análises mostraram que 83,3% das amostras estavam em conformidade com a legislação. Em relação às análises de resíduos e contaminantes, foram detectadas presenças de nitrofurazona (substância cancerígena) em 10,7% das amostras, sendo que 7,14% estavam acima do permitido em legislação. Assim, observou-se que o mel atuou como marcador ambiental regional da flora circunjacente que havia sido tratada com o produto químico, o qual é tóxico e carcinogênico para humanos, representando risco à Saúde Pública. A detecção de tal composto mostra a efetividade do Programa Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes. Programas semelhantes devem ser adotados e aprimorados tanto no campo como no varejo para que esta detecção se faça de maneira eficiente e ostensiva.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Ricardo Lacava Bailone, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento


Graduado em Medicina Vetetinária pela Universidade Estadual Paulista, Câmpus Jaboticabal

Mestrado pela Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC, Florianópolis, SC.

Doutorando no Programa de Pós Graduação em Medicina Veterinária da UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA e pela HARPER ADAMS UNIVERSITY (Inglaterra).

Depto: Saúde Animal, Saúde Pública Veterinária e Segurança Alimentar 

Área: Manejo pré-abate de animais de produção, bem estar animal, Inspeção de Produtos de Origem Animal, Tecnologia de Produtos de Origem Animal

Desde 2008 atua no Serviço de Inspeção Federal (Ministério da Agricultura).

Hirla Costa Silva Fukushima, UNESP - Universidade Estadual Paulista

Graduada em Zootecnia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho em Zootecnia.

Mestrado pela Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC

Doutora pelo CAUNESP - Centro de Aquicultura da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Jaboticacal, SP.

ATUAL: Pesquisador Bolsista RHAE CNPq (pesquisador com bolsa de fixação e capacitação de Recursos Humanos). Bioventures Technologia e Participações, Brasil. Coordenadora de Projeto em Aquicultura.

Roberto de Oliveira Roça, UNESP - Universidade Estadual Paulista

Docente da Faculdade de Ciências Agronômicas, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho desde 1980 e atualmente é Professor Adjunto (MS-5, III).

Atua na área de Tecnologia de Produtos de Origem Animal, com ênfase em Tecnologia de Carnes. É credenciado no curso de Pós-Graduação em Medicina Veterinária, área de Saúde Animal, Saúde Pública Veterinária e Segurança Alimentar, e Curso Pós-graduação em Zootecnia, na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, UNESP, Campus de Botucatu. Professor do Curso de Graduação em Medicina Veterinária e Curso de Graduação em Zootecnia da FMVZ, UNESP, Campus de Botucatu.

Referências

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (BR). Instrução Normativa no 42, de 20 de outubro de 1999. Altera o Plano Nacional de Controle de Resíduos em produtos de origem animal – PNCR e os Programas de Controle de Resíduos em Carne – PCRC, Mel – PCRM, Leite – PCRL e Pescado – PCRP. Diário Oficial da União.

dez 1999; Seção 1:213.

Brasil sobe no ranking e é o 8o maior exportador de mel. Revista Globo Rural [internet] 2015 [acesso em 10 ago. 2016]. Disponível em: http://revistagloborural.globo.com.

Silva RA, Maia GA, Sousa PHM, Costa JMC. Composição e propriedades terapêuticas do mel de abelha. Alim Nutr. 2008;17(1):113-120.

Borges JAR. Mel natural: Brasil no mercado mundial. Agroanalysis – Mercado & Negócios. 2010;30(05):13-15.

Brasil foi o 5o exportador mundial de mel no primeiro semestre. Revista Portuária – Economia e Negócios [internet]. 2008 [acesso em 10 jun. 2015]. Disponível em: http://www.revistaportuaria.com.br.

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (BR). Portaria no 06, de 25 de julho de 1985. Aprova as normas higiênico-sanitárias e tecnológicas para mel, cera de abelhas e derivados, propostas pela Divisão de Inspeção de Leite e Derivados, da Secretaria de Inspeção de Produto Animal. Diário Oficial da União. 02 jul 1985; Seção 1:11100.

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (BR). Instrução Normativa no 11, de 20 de outubro de 2000. Aprova o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade do Mel. Diário Oficial da União. 23 out 2000; Seção 1:23.

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (BR). Instrução Normativa no 10 de 14 de abril de 2008. Aprova o Programa Nacional de Controle de Resíduos em Produtos de Origem Animal. Diário Oficial da União. 17 abr 2008; Seção 1.

Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Portaria no 01, de 07 de outubro de 1981. Métodos analíticos para controle de produtos de origem animal e seus ingredientes. Diário Oficial da União. 07 out 1981.

Marchini LC, Geni SS, Moreti AC. Mel Brasileiro: composição e normas. Ribeirão Preto: A.S. Pinto; 2004.

Marchini LC, Moreti ACCC, Otsuk IP. Análise de agrupamento, com base na composição físico-química, de amostras de méis produzidos por Apis mellifera L. no Estado de São Paulo. Food Sci. Technol. 2005;25(1):8-17.

Silva CL, Queiroz AJM, Figueiredo RMF. Caracterização físico-química de méis produzidos no Estado do Piauí para diferentes floradas. R. Bras. Eng. Agríc. Ambiental. 2004;8(2-3):260-265.

Crane E. O livro do mel. 2. ed. São Paulo: Nobel, 1983.

Pamplona BC. Exame dos elementos químicos inorgânicos encontrados em méis brasileiros de Apis mellifera e suas relações físico-biológicas [dissertação]. São Paulo: Instituto de Biologia da Universidade de São Paulo; 1989.

Evangelista-Rodrigues A, Silva SEM, Bezerra EMF. Análises físico-químicas de méis de abelhas Apis mellifera e Melipona scutellaris [internet]. [acesso em 15 nov 2003]. Disponível em: http//www.agroline.com.br/agrociencia

Finola MS, Lasagno MC, Marioli J M. Microbiological and chemical characterization of honeys from Central Argentina. Food Chem. 2007;100(4):1649-1653.

Andrade ECB. Análise de alimentos, uma visão química da nutrição. São Paulo: Ed. Varela; 2006.

Abadio-Finco FDB, Moura LL, Silva IG. Propriedades físico-químicas do mel de Apis mellífera L. Food Sci. Technol. 2010;30(3):706-712.

Carillo Magana FA. Meliponicultura: el mundo de las abejas nativas de Yucatán. Mérida, México; 1998.

Azeredo MAA, Azeredo LC, Damasceno JG. Características físico-químicas dos méis do município de São Fidélis – RJ. Food Sci. Technol. 1999;19(1):3-7.

Welke JE, Reginattoii S, Ferreira D, Vicenziii R, Soares JM. Caracterização físico-química de méis de Apis mellifera L. da região noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Ciência Rural. 2008;38(6):1737-1741.

Azeredo LC, Azeredo MAA, Souza SR, Dutra VML. Protein contents and physicochemical properties in Money simples of Apis mellifera of different origins. Food Chem. 2003;80:249-254.

Evangelista-Rodrigues A, Silva EM, Beserra EMF, Rodrigues ML. Análise físico-química dos méis das abelhas Apis mellifera e Melipona scutellaris produzidos em regiões distintas no Estado da Paraíba. Ciência Rural. 2005;35(5):1166-1171.

Przybylowski P, Wilczynska A. Honey as environmental marker. Food Chem. 2001;74:289-291.

Bogdanov S. Contaminants of bee products. Apidologie. 2006;37:1-18.

Servicio Nacional de Sanidad y Calidad Agroalimentaria. Farmacologico – Nitrofurano. Resolucion no 248/95. Buenos Aires: SENASA; 1995.

Lanzelotti P. Dynamics of honey and beeswax contamination in the beehive. Case study with nitrofurans and coumaphos residues. Agro Sur. 2007;25(1):28-29.

Ortelli D, Edder P, Corvi C. Analysis of chloramphenicol residues in honey by liquid chromatography-tandem mass spectrometry.

Chromatographia. 2004;59(1):61-64.

Verzegnassi L, Royer D, Mottier P, Stadler RH. Analysis of chloramphenicol in honeys of different geographical origin by liquid chromatography coupled to electrospray ionization tandem mass spectrometry. Food Addit. Contam. 2003;20(4):335-342.

Horie M, Saito H, Natori T, Nagata J, Nakazawa H. Determination of streptomycin and dihydro streptomycin in honey by liquid chromatography-electrospray mass spectrometry. J. Liq. Chromatogr. Relat. Technol. 2004;27(5):863-874.

Khong SP, Gremaud E, Richoz J, Delatour T, Guy PA, Stadler RH, Mottier P. Analysis of matrix-bound nitrofuran residues in Worlwide-originated honeys by isotope dilution high-performance chromatography-tandem mass spectrometry. J. Agric. Food Chem. 2004;52:5309-5315.

Kaufmann A, Roth S, Ryser B, Widmer M. Quantitative LC/MS-MS determination of sulfonamides and some other antibiotics in honey. J. AOAC Int. 2002;84(4):853-860.

Heering W, Usleber E, Dietrich R, Marlbauer E. Immunochemical screening for antimicrobial drug residues in commercial honey. Analyst. 1998;123:2759-2762.

Edder P, Cominoli A, Corvi C. Determination of streptomycin residues in food by solid-phase extraction and liquid chromatography with post-column derivatization and fluorometric detection. J. Chromatogr. A. 1999;830:345-351.

Waite R, Brown M, Thompson H, Bew M. Control of American foulbrood by eradication of infected colonies. Apiacta. 2003;38:134-136.

VonDer Ohe W. Control of american foulbrood by using alternatively eradication method and artificial swarms. Apiacta. 2003;38:137–139.

Downloads

Publicado

2016-10-18

Como Citar

1.
Bailone RL, Fukushima HCS, Roça R de O. Qualidade físico-química e detecção de resíduos e contaminantes no mel – estudo de caso. Segur. Aliment. Nutr. [Internet]. 18º de outubro de 2016 [citado 8º de dezembro de 2021];23(1):826-3. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/san/article/view/8645954

Edição

Seção

Artigo de Segurança Alimentar e Nutricional