Preço de hortaliças orgânicas segundo canal de comercialização

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/san.v25i1.8650637

Palavras-chave:

Segurança alimentar e nutricional. Abastecimento. Alimentos orgânicos. Preços.

Resumo

O estudo comparou os preços de hortaliças provenientes de sistemas de produção orgânica e convencional em quatro canais de abastecimento com características distintas em Brasília-DF. Os preços de 25 alimentos foram coletados em dois períodos, novembro de 2015 e abril de 2016, nos seguintes locais: duas feiras ecológicas “de rua”, galpão da agricultura familiar e Mercado Orgânico, ambos localizados na Central de Abastecimento (CEASA-DF) e em três grandes supermercados concorrentes. As análises verificaram as diferenças absoluta e relativa de preços dos orgânicos entre si, e dos orgânicos com os convencionais dos supermercados. Foi constatado que hortaliças orgânicas comercializadas em supermercados chegam a custar mais que o triplo do preço em relação às orgânicas de canais alternativos, e que a cesta contendo os 16 alimentos pesquisados chega a custar mais que o dobro nos supermercados. No comparativo geral com as convencionais, ainda que estas custem mais barato, as orgânicas apresentaram preços competitivos e inclusive menores dependendo do canal. O estudo indica que são relativamente enganosas as afirmações e a divulgação de informações relativas aos preços de alimentos orgânicos que não considerem a pluralidade dos canais de abastecimento. 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Rafael Rioja Arantes, Universidade de Brasília

Nutricionista

Elisabetta Recine, Universidade de Brasília

Coordenadora do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição, Departamento de Nutrição, Faculdade de Ciências da Saúde

Referências

Leu A. Consolidated annual report of IFOAM: Organics International (2016) [Internet]. Germany: Head Office Charles-de-Gaulle-Str; 2016 [acesso em 16 dez 2016]. Disponível em: http://www.ifoam.bio/sites/default/files/annual_report_2016.pdf

Ormond JG, Paula SR, Faveret PS, Rocha LT. Agricultura orgânica: quando o passado é futuro. BNDES Setorial [Internet], 2002 [acesso em 15 jan 2014]; 15:3-34. Disponível em: https://web.bndes.net/bib/jspui/handle/1408/2479

Brasil. Mais orgânicos na mesa do brasileiro em 2017 [Internet]. 2017 [acesso em 18 jan 2017]. Disponível em: http://www.mda.gov.br

Câmara Interministerial de Agroecologia e Produção Orgânica. Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. Brasília (DF); 2013.

Brasil. Decreto no 7.794, de 20 de agosto de 2012. Institui a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. Diário Oficial da União. 21 ago 2012.

Wezel A., Bellon S, Dore T, Francis C, Vallod D, David C. Agroecology as a science, a movement and a practice: a review. Paris: INRA; 2009.

ABA. Estatuto da Associação Brasileira de Agroecologia – ABA. Rio de Janeiro: ABA; 2015.

Brasil. Decreto no 6.323, de 27 de dezembro de 2007. Regulamenta a Lei no 10.831, de 23 de dezembro de 2003, que dispõe sobre a agricultura orgânica, e dá outras providências. Diário Oficial da União. 28 dez 2007.

Brasil. Lei no 10.831, de 23 de dezembro de 2003. Dispõe sobre a agricultura orgânica e dá outras providências. Diário Oficial da União. 24 dez 2003.

Companhia de Planejamento do Distrito Federal. O Mercado de Produtos Orgânicos: Mecanismos de Controle [Internet], 2015 [acesso em 15 jul 2015]. Disponível em: http://www.codeplan.df.gov.br/images/CODEPLAN/PDF/pesquisa_socioeconomica/politicas_sociais/2015/Mercado_Produtos_Organicos_2015.pdf

Almeida IL. Caracterização de consumidores, tendência de mercado e estratégias para o crescimento do segmento de hortaliças no Distrito Federal e Entorno [dissertação]. Brasília: Universidade de Brasília; 2012.

Emater. Informativo da produção agrícola do Distrito Federal ano safra: 2009/2010. Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural. Brasília (DF): Emater; 2010.

Carneiro FF, Pignati W, Rigotto RM, Augusto LG, Rizzolo A, Faria NM. et al. Segurança alimentar e nutricional e saúde. In: Carneiro FF (org). Rio de Janeiro: ABRASCO; 2012. p. 46-89.

Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA): Relatório das análises de amostras monitoradas no período de 2013 a 2015. Brasília (DF): ANVISA; 2016.

Greenpeace. Segura este abacaxi! Os agrotóxicos que vão parar na sua mesa [Internet]. 2017 [acesso em 15 out 2017]. Disponível em: http://greenpeace.org.br/agricultura/segura-este-abacaxi.pdf

Faria NM, Fassa AG, Facchini LA. Intoxicação por agrotóxicos no Brasil: os sistemas oficiais de informação e desafios para realização de estudos epidemiológicos. Ciênc. Saúde Coletiva [Internet]. 2007 [acesso em 2015 nov 8]; 12(1):1225-38. Disponível em: http://www.redalyc.org

Marinho AM. Contextos e contornos da modernização agrícola em municípios do Baixo Jaguaribe – CE: o espelho do (des)envolvimento e seus reflexos na saúde, trabalho e ambiente [dissertação]. São Paulo: Universidade de São Paulo; 2010.

Pignati WA, Machado JH, Cabral JF. Acidente rural ampliado: o caso das “chuvas” de agrotóxicos sobre a cidade de Lucas do Rio Verde. Ciênc. Saúde Coletiva [Internet]. 2007 [acesso em 2015 nov 8]; 12(1):105-140. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232007000100014.

Palma DC. Agrotóxicos em leite humano de mães residentes em Lucas do Rio Verde, MT [dissertação]. Cuiabá: Universidade Federal do Mato Grosso; 2011.

Nero LA, Mattos MR, Beloti V, Barros MA, Netto DP, Franco BD. Organofosforados e carbamatos no leite produzido em quatro regiões leiteiras no Brasil: ocorrência e ação sobre Listeriamonocytogenes e Salmonella spp. Ciênc. Tecnol. Aliment. 2007;27(1):201-204.

Brasil. Lei no 11.346, de 15 de setembro de 2006. Cria o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – SISAN com vistas em assegurar o direito humano à alimentação adequada e dá outras providências. Diário Oficial da União. 28 set 2006.

HLPE. Food losses and waste in the context of sustainable food systems. A report by the High Level Panel of Experts on Food Security and Nutrition of the Committee on World Food Security [Internet]. 2014 [acesso em 15 out 2017]. Disponível em: http://www.fao.org/3/a-i3901e.pdf

FAO. Sustainable diets and biodiversity: directions and solutions for policy, research and action. Rome: FAO; 2012.

Hoppe A, Vieira LM, Barcellos MD. Consumer behaviour towards organic food in Porto Alegre: an application of the theory of planned behaviour. Rev. Econ. Sociol. Rural [Internet]. 2013 [acesso em 2014 mar 10];51(1):69-90. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S010320032013000100004.

McCarthy B, Murphy L. Who’s buying organic food and why? Political consumerism, demographic characteristics and motivations of consumers in North Queensland. Tour. & Manag. Studies. 2013;9(1):72-79.

Pieniak Z, Aertsens J, Verbeke W. Subjective and objective knowledge as determinants of organic vegetables consumption. Elsevier. 2010;21:581–588.

Ceasa. Calendário de comercialização de hortaliças. Centrais de Abastecimento do Distrito Federal, DF [Internet]. 2015 [acesso em 10 nov 2015]. Disponível em: http://www.ceasa.df.gov.br

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de orçamentos familiares 2008-2009: Análise do consumo alimentar pessoal no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE; 2011.

Instituto Terra Mater, Instituto Kairós. Produtos sem veneno são sempre mais caros? [Internet]. 2016 [acesso em 10 jan 2017]. Disponível em: http://institutokairos.net

Santiago OA, Gentil DO. Estudo comparativo da comercialização de hortaliças orgânicas e convencionais em Manaus, Amazonas. Revista Brasileira de Agroecologia. 2014;9(3):124-139.

Gomes AS, Noqueira RB, Rosado PL. Determinantes da demanda de hortaliças orgânicas em Ilhéus. Conj. & Planej. 2009;162:66-71.

Santos G. Preço alto ainda limita consumo de orgânicos; diferença chega a 270% [Internet]. Folha de São Paulo. 2015 jul 05 [acesso em 15 jul 2015]. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br

Marin T, Ferraz Y. Produtos orgânicos custam até 652% mais caro [Internet]. Diário do Grande ABC. 2013 jul 10 [acesso em 20 jul 2013]. Disponível em: http://www.dgabc.com.br

Preiss PV. Comida orgânica é mais cara: questionando o mito [Internet]. Porto Alegre: SlowFood Brasil; 2013 [acesso em 15 abr 2014]. Disponível em: https://www.slowfoodbrasil.com

Redação. Comércio honesto vende produtos orgânicos pelo preço do produtor [Internet]. São Paulo: Catraca Livre; 2016 [acesso em 15 mai 2016]. Disponível em: https://catracalivre.com.br

Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. Mapa de feiras orgânicas [Internet]. São Paulo: Idec; 2015 [acesso em 15 out 2015]. Disponível em: https://feirasorganicas.org.br

Soares WL, Porto MF. Atividade agrícola e externalidade ambiental: uma análise a partir do uso de agrotóxicos no cerrado brasileiro. Ciênc. Saúde Coletiva [Internet]. 2007 [acesso em 2017 out 05];12(1):131-143. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232007000100016.

Soares WL, Porto MF. Estimating the social cost of pesticide use: An assessment from acute poisoning in Brazil: challages to sustainability and environmental justice. Ciênc. Saúde Coletiva [Internet]. 2009 [acesso em 2017 out 05];14(6):1983-1994. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232009000600006.

Downloads

Publicado

2018-04-26

Como Citar

1.
Arantes RR, Recine E. Preço de hortaliças orgânicas segundo canal de comercialização. Segur. Aliment. Nutr. [Internet]. 26º de abril de 2018 [citado 30º de novembro de 2021];25(1):13-22. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/san/article/view/8650637

Edição

Seção

Artigo de Segurança Alimentar e Nutricional