A perspectiva paleontológica no ensino da História Natural e em áreas afins

Autores

  • Cristianini Trescastro Bergue Universidade Federal do Rio Grande do Sul

DOI:

https://doi.org/10.20396/td.v13i2.8650085

Palavras-chave:

Transversalidade. História natural. Diagrama de Lipps. Ensino científico.

Resumo

A Paleontologia possui abordagens significativamente diferentes nas Geociências e nas Biociências e seu ensino assume, geralmente, uma perspectiva instrumental. Na proposta de ensino aqui discutida, a qual baseia-se na transversalidade e no chamado Diagrama de Lipps, a Paleontologia é assumida como um tema e não uma disciplina. Além disso sustenta-se que a perspectiva paleontológica pode transcender a História Natural e abranger um espectro mais amplo de conhecimentos.  Esta proposta de ensino baseia-se na análise dos principais atributos adotados classicamente para a definição dos fósseis, ou seja, a idade e o tamanho. Suas influências na Paleontologia são discutidas principalmente em relação à criação de disciplinas como a micropaleontologia, paleontologia de vertebrados, paleobotânica e paleontologia de invertebrados. A proposta apresentada neste trabalho sustenta que a ampliação da perspectiva paleontológica na educação superior, não apenas na História Natural mas em áreas onde não é usualmente abordada atualmente, como a Astronomia e a Ecologia, pode promover reflexões úteis ao aperfeiçoamento do ensino de ciências.

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Biografia do Autor

Cristianini Trescastro Bergue, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Biólogo (1998) e Doutor em Ciências (2005) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS. Atua na pesquisa de ostracodes (Crustacea: Ostracoda) marinhos e não-marinhos cenozoicos, com ênfase em taxonomia, ecologia e aplicações geoquímicas de ostracodes de águas profundas. Atualmente desenvolve estudos sobre ostracodes miocênicos batiais do Chile.

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Publicado

2017-08-10

Como Citar

BERGUE, C. T. A perspectiva paleontológica no ensino da História Natural e em áreas afins. Terrae Didatica, Campinas, SP, v. 13, n. 2, p. 93–100, 2017. DOI: 10.20396/td.v13i2.8650085. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/td/article/view/8650085. Acesso em: 25 jan. 2022.

Edição

Seção

Artigos