Por que ensinar tempo geológico na educação básica?

Autores

  • Rafaela Santos Chaves Universidade Federal da Bahia https://orcid.org/0000-0002-2608-2652
  • Simone Souza de Moraes Universidade Federal da Bahia
  • Rejâne Maria Lira-da-Silva Universidade Federal da Bahia

DOI:

https://doi.org/10.20396/td.v14i3.8652309

Palavras-chave:

Tempo profundo. Geociências. Educação. Ensino de ciências.

Resumo

Tempo Geológico é uma das construções mais importantes do pensamento científico, é essencial na tomada de decisões socialmente responsáveis sobre uso de recursos naturais e mudanças ambientais e é fundamental para compreender Evolução. A construção desta noção envolveu a aceitação de ideias ao longo da história da Geologia, portanto, defendemos que sua complexidade deve-se ao seu desenvolvimento histórico, em que conhecimentos diversos precisaram ser mobilizados. Este trabalho de revisão mostra que, nas escolas, algumas dificuldades para compreender Tempo Geológico são: elevado grau de abstração; interpretação de números grandes, escalas e eventos distantes da experiência humana; conflitos religiosos que interferem na aquiescência de uma Terra muito antiga. Propostas para superá-las são: uso de analogias; atividades que mobilizem perspectivas dinâmicas da Terra; introdução da história das geociências; emprego de narrativas históricas. É imprescindível o desenvolvimento de investigações sobre ensino de Tempo Geológico no Brasil e atenção à formação de professores.

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Biografia do Autor

Rafaela Santos Chaves, Universidade Federal da Bahia

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências da Universidade Federal da Bahia e Universidade Estadual de Feira de Santana

Simone Souza de Moraes, Universidade Federal da Bahia

Possui graduação em Ciências Biológicas (1998) e mestrado (2001) e doutorado (2006) em Geologia pela Universidade Federal da Bahia. É professora adjunto de Paleontologia no Instituto de Geociências da UFBA.

Rejâne Maria Lira-da-Silva, Universidade Federal da Bahia

É professora Titular da UFBA, coordenadora do Núcleo de Ofiologia e Animais Peçonhentos da Bahia (NOAP/UFBA) (desde 1997), curadora da Coleção Herpetológica do Museu de História Natural da Bahia (MHNBA/UFBA) (desde 2013) e Membro da Academia de Ciências da Bahia (desde 2016).

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Publicado

2018-09-28

Como Citar

CHAVES, R. S.; MORAES, S. S. de; LIRA-DA-SILVA, R. M. Por que ensinar tempo geológico na educação básica?. Terrae Didatica, Campinas, SP, v. 14, n. 3, p. 233–244, 2018. DOI: 10.20396/td.v14i3.8652309. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/td/article/view/8652309. Acesso em: 8 dez. 2021.

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