Resumo
Introdução. Trilhas constituem caminhos que conectam paisagens, promovem fluxos e possibilitam múltiplas perspectivas de aprendizagem. Objetivo. O presente artigo analisa a seguinte questão: de que forma as trilhas e seus mirantes contribuem para a compreensão da Geodiversidade e promovem associação com as formas de uso e ocupação do território, atreladas à percepção de riscos e desastres? Metodologia. A metodologia de pesquisa-ação envolve experiências de ensino e pesquisa em campo, além da utilização de aplicativos para criação de roteiros educativos e geoturísticos. Foi escolhida a trilha do Morro Meu Castelo (Castelinho), inserida no Parque Nacional da Serra dos Órgãos e localizada no município de Petrópolis, que registrou nas últimas décadas desastres ambientais recorrentes, com impacto no cotidiano da população. Resultados. Os resultados incluem caracterização da Geodiversidade e dos movimentos de massa no contexto da trilha, contribuindo na construção de um conhecimento em consonância com as especificidades do território e, principalmente, em diálogo com as pessoas. Conclusão. A continuidade da pesquisa possibilitará desdobramentos para outros percursos no âmbito do Mosaico de Áreas Protegidas da Mata Atlântica Central Fluminense e do Projeto Geoparque Montanhas.
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