Interculturalidade, letramento e alternância como fundamentos para a educação indígena

Autores

Palavras-chave:

Bilinguismo. Indígenas. Linguística aplicada.

Resumo

O presente artigo reflete acerca do ensino bilíngue para alunos indígenas em contexto multicultural, apresentando uma proposta como resultado de um levantamento bibliográfico em busca de fundamentos que pudessem subsidiar a elaboração de modelos de ensino bilíngue para indígenas nas regiões sul e sudeste do Pará. Com isso, chegamos à proposição de que a tríade composta pela Interculturalidade, Letramento e a Alternância pode fundamentar a construção de modelos de ensino na conjuntura recortada. Para tanto, partimos das perspectivas teóricas da Linguística Aplicada (LA), área que estabelece um corte epistemológico com a linguística teórica no sentido de encaminhar suas teorias, metodologias e análises por proposições próprias. Esse corte é o que tem subsidiado estudos como os que consideram o ensino bilíngue, em prol de comunidades subalternizadas. Cientes de que para cada comunidade é preciso pensar um modelo de ensino bilíngue específico, considerando as especificidades do povo em questão (seus etno-conhecimentos, seus tempos, seus projetos de sociedade, sua cultura etc.), tomamos o cuidado aqui de deixar claro que não temos a pretensão de apresentar uma fórmula, mas elementos que podem inspirar construções em torno do ensino bilíngue em contextos com alunos indígenas. Chegamos a esses três elementos norteados pela premissa de que o ensino bilíngue deve servir para que os sujeitos do campo possam circular nos espaços legitimados e transformar as estruturas de dominação e poder. Esse ensino bilíngue deve servir para que os sujeitos originários não dependam do Outro para escrever sua história e para que possam lutar por equidade epistêmica. Assim, este trabalho reforça o entendimento maior de que trabalhar com língua exige um exercício interdisciplinar, possibilitando assim uma reflexão mais ampla sobre um objeto tão complexo, constituinte e constitutivo dos sujeitos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Flávia Marinho Lisbôa, Universidade Federal do Pará

Graduada em Letras, Especialista em Ensino-aprendizagem da Língua Portuguesa, Mestre em Dinâmicas Terriotriais e Sociedade na Amazônia e Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Letras, ênfase em Linguística.

Referências

ARROYO, M. G (2007). Políticas de formação de educadores(as) do campo. Cadernos CEDES. Vol. 27, N. 72, p. 157-176.

CAVALCANTI, M. do C.; MAHER, T. J. M. O índio, a leitura e a escrita: o que está em jogo? São Paulo: Rever – Produção Editorial, 2005.

DELEUZE, Gilles. O que é um dispositivo? In: O mistério de Ariana. Lisboa: Vega/Passagens, 1996.

FOUCAULT, Michel (1970). A ordem do discurso. Aula Inaugural no Collège de France. Pronunciada em 2 de Dezembro de 1970. 21ª ed. São Paulo: Loyola, 2011.

FREIRE, P. Pedagogia da esperança: um reencontro com a Pedagogia do oprimido. 7. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2000.

GREGOLIN, Maria do Rosário (2015). O dispositivo escolar republicano na paisagem das cidades brasileiras: enunciados, visibilidades, subjetividades. Revista Moara- Estudos Linguísticos. Belém, Edição 43, p. 6-25.

HAMEL, R. E (1988). Determinantes sociolingüísiticos de la educacción bilíngüe. SIGNOS: Anuário de Humanidades. UAM-I, p. 319-375.

KLEIMAN, A. B (2008). Os estudos de letramento e a formação do professor de língua materna. Linguagem em (Dis)curso. V. 8, N. 3, p. 487-517.

MAHER, T. J. M. (1996). Ser professor sendo índio – questões de língua(gem) e identidade. Tese de Doutorado em Linguística. Instituto de Estudos da Linguagem, Unicamp, Campinas.

MAHER, T. J. M. (1998). Sendo índio em português. Língua. V. 18, p. 115-138.

MAHER, T. J. M. A formação de professores indígenas: uma discussão introdutória. In: GRUPIONI, Luís Donisete Benzi (Org.). Formação de professores indígenas: repensando trajetórias. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2006.

LÉVI-STRAUSS, Claude (1962). O Pensamento Selvagem. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1976.

MIGNOLO, W (2008). Desobediência epistêmica: A opção decolonial e o significado de identidade em política. Cadernos de Letras da UFF, N. 34, p. 287-324.

MOITA LOPES, L. P (2006). Uma linguística aplicada mestiça e ideológica: interrogando o campo como linguista aplicado In: MOITA LOPES, L. P., Por uma linguística aplicada INdisciplinar. São Paulo: Parábola Editorial, 2006.

OLIVEIRA, G. M (1999). O que quer a Linguística e o que se quer da Linguística. Cadernos Cedes, V. 49, p. 26-38.

RAJAGOPALAN, Kanavillil. Repensar o papel da Linguística Aplicada In: MOITA LOPES, L. P. Por uma linguística aplicada INdisciplinar. São Paulo: Parábola Editorial, 2006.

RIBEIRO, N. B.; VILLAS BÔAS, R. L. O processo em construção da Área de Linguagens na Educação do Campo In: Memória e história do Pronera: contribuições para a educação do campo no Brasil. Brasília: Ministério do Desenvolvimento Agrário, 2010.

SILVA, S. S. (Org.). Línguas em contato: cenários de biliguismo no Brasil. Campinas, SP: Pontes Editores. 2011.

STREET, B. V. Literacy in theory and practice. Cambrigde: Cambrigde University Press, 1984.

WALSH, C. Interculturalidad crítica y educación intercultural. III CAB. La Paz: Convênio Andrés Bello, 2010.

Downloads

Publicado

2017-10-20

Como Citar

LISBÔA, F. M. Interculturalidade, letramento e alternância como fundamentos para a educação indígena. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 56, n. 2, p. 669–688, 2017. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8649254. Acesso em: 26 set. 2022.

Edição

Seção

Artigos