Tradução audiovisual acessível (TAVa): a segmentação linguística na Legendagem para Surdos e Ensurdecidos (LSE) da campanha política na televisão em Fortaleza

Autores

  • Silvia Malena Modesto Monteiro Universidade Estadual do Ceará
  • João Francisco Dantas Universidade Federal do Ceará

Palavras-chave:

LSE. Segmentação. Rastreador Ocular.

Resumo

O presente artigo trata de uma pesquisa de cunho exploratório-experimental acerca da recepção de espectadores surdos e ouvintes à Legendagem para Surdos e Ensurdecidos (LSE) de campanhas políticas na televisão. A pesquisa teve como variáveis os parâmetros de legendagem: velocidade e segmentação. A referida pesquisa trabalhou com vídeos de campanhas políticas, que tinham legendas nas velocidades lenta (145 palavras por minuto) e rápida (180 palavras por minuto) e que apresentavam ou não problemas de segmentação linguística. A segmentação linguística consiste na divisão das falas em blocos semânticos, baseada nas unidades semânticas e sintáticas. Assim, os vídeos foram apresentados aos participantes da seguinte maneira: Legendas Lentas Bem Segmentadas (LBS), Lentas Mal Segmentadas (LMS), Rápidas Bem Segmentadas (RBS) e Rápidas Mal Segmentadas (RMS). 16 espectadores – oito ouvintes e oito surdos – participaram da pesquisa. Desta forma, foi realizado um experimento com um rastreador ocular, em que as medidas de número e duração de fixações oculares foram observadas (estudo experimental). Além disso, foram coletadas informações sobre as legendas por meio de relatos retrospectivos e questionários aplicados aos participantes (estudo exploratório). Os resultados dos estudos exploratório e experimental sugerem que problemas de segmentação podem causar desconforto na recepção das legendas, causando rupturas no processo de leitura, tanto para surdos como para ouvintes.

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Biografia do Autor

Silvia Malena Modesto Monteiro, Universidade Estadual do Ceará

Possui graduação em Letras - Português, Inglês e Literaturas pela Universidade Federal do Ceará, especialização em tradução pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mestrado em Lingüística Aplicada pela Universidade Estadual do Ceará e doutorado em Lingüística Aplicada pela Universidade Estadual do Ceará. É professora efetiva do Curso de Letra-Inglês da Universidade Estadual do Ceará (Centro de Humanidades) desde 2003. Tem experiência na área de Letras/Linguística Aplicada, com ênfase em Língua Inglesa, atuando principalmente nos seguintes temas: tradução audiovisual, tradução, ensino e aprendizagem de língua inglesa, leitura em língua inglesa, formação de professores e ambientes virtuais.

João Francisco Dantas, Universidade Federal do Ceará

Cursou Graduação e Mestrado pelo curso de Letras da Universidade Estadual do Ceará - UECE - e atualmente faz Doutorado pela Universidade Federal do Ceará - UFC, no Departamento de Literatura. Participa de pesquisa sobre a acessibilidade para cegos e surdos, além de estudos sobre a questão linguística e da imagem na contemporaneidade, principalmente, nos seguintes temas: linguagem, literatura, audiodescrição, inclusão social, tradução intersemiótica e acessibilidade. No Doutorado, estuda as relações familiares em Literatura Contemporânea.

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Publicado

2017-10-20

Como Citar

MONTEIRO, S. M. M.; DANTAS, J. F. Tradução audiovisual acessível (TAVa): a segmentação linguística na Legendagem para Surdos e Ensurdecidos (LSE) da campanha política na televisão em Fortaleza. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 56, n. 2, p. 527–560, 2017. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8649289. Acesso em: 27 set. 2022.

Edição

Seção

Dossier Research practices in literacies across languages and social domains