Oportunidades de aprendizagem na nova ordem comunicativa da fala-em-interação de sala de aula contemporânea: língua espanhola no ensino médio

  • Pedro Garcez Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Marcela Freitas Ribeiro Lopes Universidade Estadual do Centro Oeste
Palavras-chave: Aprendizagem. Fala-em-interação. Sala de aula.

Resumo

Examinamos oportunidades de aprendizagem na fala-em-interação social de sala de aula contemporânea. Os dados para este estudo foram gerados de março a outubro de 2012 e consistem em observações sistematizadas em diário de campo e transcrições de segmentos de 11 horas de gravações audiovisuais de aulas de Língua Espanhola da Turma 10 do segundo ano do Ensino Médio de uma escola pública da cidade de Porto Alegre. Na interação dessa sala de aula, há constante participação animada de pelo menos alguns alunos, entre eles mesmos e com o professor, o que, conforme Rampton (2006), caracteriza uma nova ordem comunicativa da sala de aula contemporânea. Nessa nova ordem comunicativa, as participações não canônicas dos alunos evidenciam que eles estão engajados (também) no trabalho de aprender. O relato etnográfico, detidamente atento às ações dos participantes, mostra que há oportunidades de aprendizagem na nova ordem comunicativa da Turma 10: 1) há participação de alguns alunos por meio da autosseleção para falar); e 2) há engajamento de todos na pauta da aula, seja pela autosseleção de alguns, seja pela atenção de outros no foco comum. Argumentamos que os alunos da Turma 10 estão participando da aula, na sua pauta curricular e na organização da nova ordem comunicativa. Assim os participantes se orientam para a língua espanhola como objeto de aprendizagem, e alguns produzem ações em torno desse objeto e mediante esse objeto, por exemplo, quando desafiam o professor, construindo evidências de aprendizagem. Mais do que mostrar que os participantes estão tendo oportunidades de aprendizagem ao realizarem participações exuberantes na sala de aula contemporânea, argumentamos que os interagentes da Turma 10 estão demonstrando uns para os outros que estão engajados (também) no trabalho de aprender ao usarem a língua e construírem ação social de fazer aula de Língua Espanhola na nova ordem comunicativa

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Pedro Garcez, Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Licenciado em Letras - Português/Inglês pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1989), mestre em Letras (Inglês e Literatura Correspondente) pela Universidade Federal de Santa Catarina (1991) e doutor em Educação, Cultura e Sociedade pela Universidade da Pensilvânia, EUA (1996). É professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde atua nas áreas de especialidade em Linguística Aplicada e Sociolinguística, na formação de educadores e em pesquisa principalmente nos seguintes temas: conversa, fala-em-interação de sala de aula, educação linguística, ensino de língua, formação de professores, metodologia de pesquisa interpretativa e políticas linguísticas. Lidera o Grupo de Pesquisa ISE ? Interação Social e Etnografia, dedicado ao estudo da conversa, da interação e da produção de conhecimento. Atua na formação inicial e continuada de educadores da linguagem do Brasil e de países da América Latina e da África. Realizou estágio de pós-doutorado (2015-2016) no Centro de Pesquisas em Educação Franco-Ontariana, Universidade de Toronto, Canadá.
Marcela Freitas Ribeiro Lopes, Universidade Estadual do Centro Oeste
Doutora em Letras pela UFRGS/Porto Alegre (2015), área de Estudos Linguísticos/ Linguística Aplicada. Mestre em Letras pela UEM/ Maringá-PR (2009), área de Estudos Linguísticos/ Ensino Aprendizagem de Línguas. Graduada em Letras Português/Espanhol Licenciatura pela UNESP/ Assis-SP (2001). Professora efetiva da UNICENTRO - Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná, desde 2002. Tem experiência na área de Lingüística Aplicada, atuando principalmente com: Fala-em-interação social; Fala-em-interação de sala de aula; Formação de Professores; Ensino e Aprendizagem de Línguas.

Referências

ABELEDO, M. de la O L. (2008). Uma compreensão etnometodológica da aprendizagem de língua estrangeira na fala-em-interação de sala de aula. Tese de Doutorado em Letras. Instituto de Letras, UFRGS, Porto Alegre.

ABELEDO, M. O.; FORTES, M.; GARCEZ, P. M.; SCHLATTER, M. (2014). Uma compreensão etnometodológica de aprendizagem e proficiência em língua adicional. Trabalhos em Linguística Aplicada, v. 53, nº 1, pp. 131-144.

BULLA, G. S. (2007). A realização de atividades pedagógicas colaborativas em sala de aula de português como língua estrangeira. Dissertação de Mestrado em Letras. Instituto de Letras, UFRGS, Porto Alegre.

CAZDEN, C. B. (1991). El discurso en el aula. El lenguaje de la enseñanza y del aprendizaje. Barcelona: Ediciones Paidós Ibérica.

CAZDEN, C. B. (2001). Classroom discourse: The language of teaching and learning. (2ª ed.) Portsmouth, NH, EUA: Heinemann.

CONCEIÇÃO, L. E. (2008). Estruturas de participação e construção conjunta de conhecimento na fala-em-interação de sala de aula de Língua Inglesa em uma escola pública municipal de Porto Alegre. Dissertação de Mestrado em Letras. Instituto de Letras, UFRGS, Porto Alegre.

ERICKSON, F. (1992). Ethnographic microanalysis of interaction. In: Lecompte, M.D.; Millroy, W. L.; Preissle, J. (Orgs.), The handbook of qualitative research in education. New York: Academic Press, pp. 201-225.

ERICKSON, F. (1996). Ethnographic microanalysis. In: Mckay, S. L.; Hornberger, N. H. (Orgs.), Sociolinguistics and language teaching. Cambridge: Cambridge University Press, pp. 283-306.

ERICKSON, F. (1989). Métodos cualitativos de investigación sobre la enseñanza. In: Wittrock, M. C. La investigación de La enseñanza, II: métodos cualitativos y de observación. Barcelona: Ediciones Paidos, pp. 195-301.

GARCEZ, P. M. (2008a). Microethnography in the classroom. In: King, K.; Hornberger, N. H. (Orgs.), The encyclopedia of language and education, vol. 10, Research methods in language and education. Berlim: Springer, pp. 257- 272.

GARCEZ, P. M. (2008b). A perspectiva da Análise da Conversa Etnometodológica sobre o uso da linguagem em interação. In: Loder, L. L.; Jung, N. M. (Orgs.), Fala-em-interação social: Introdução à Análise da Conversa Etnometodológica. Campinas/SP: Mercado de Letras, pp. 17-38.

GARCEZ, P. M. (2012). A fala-em-interação de sala de aula: controle social, reprodução, construção conjunta. In: Guedes, P. C. (Org.), Educação linguística e cidadania. Porto Alegre: Editora da UFRGS, pp. 87-121.

GARCEZ, P. M; MELO, P. S. (2007). Construindo o melhor momento para tomar o turno na fala-em-interação de sala de aula na escola pública cidadã de Porto Alegre. Polifonia, v. 13, pp. 1-21.

GARCEZ, P. M.; BULLA, G. S.; LODER, L. L. (2014). Práticas de pesquisa microetnográfica: geração, segmentação e transcrição de dados audiovisuais como procedimentos analíticos plenos. DELTA, v. 30, nº 2, pp. 257-288.

GARCEZ, P. M.; KANITZ, A.; FRANK, I. R. (2012). Interação social e etnografia: sistematização do conceito de construção conjunta de conhecimento na fala-eminteração de sala de aula. Calidoscópio, v. 10, nº 2, pp. 211-224.

GARCEZ, P. M.; SALIMEN, P. G. (2011). Pedir e oferecer ajuda para “fazer aprender” em atividades pedagógicas de encenação na fala-em-interação de sala de aula de inglês como língua adicional. In: Barcelos, A. M. (Org.), Linguística Aplicada: Reflexões sobre ensino e aprendizagem de língua materna e língua estrangeira. Campinas, SP: Pontes, pp. 97-117.

GARCEZ, P. M.; SCHULZ, L. (2015). Olhares circunstanciados: etnografia da linguagem e pesquisa em Linguística Aplicada no Brasil. DELTA, v. 31, nº Especial, pp. 1-34.

HALL, J. K. (2010). Interaction as method and result of language learning. Language Teaching, v. 43, nº 2, pp. 202-215.

LODER, L. L., & JUNG, N. M. (Orgs.). (2008). Fala-em-interação social: uma introdução à Análise da Conversa Etnometodológica. Campinas, SP: Mercado de Letras.

LODER, L. L., & JUNG, N. M. (Orgs.). (2009). Análises de fala-em-interação institucional: a perspectiva da Análise da Conversa Etnometodológica. Campinas, SP: Mercado de Letras.

LODER, L. L. (2008). O modelo Jefferson de transcrição. Convenções e debates. In: Loder, L. L.; Jung, N. M. (Orgs.), Fala-em-interação social: Introdução à Análise da Conversa Etnometológica. Campinas/SP: Mercado de Letras, pp. 127-162.

LOPES, M. F. R. (2009). A negociação de identidade de professor na sala de aula de estágio de língua espanhola. Dissertação de Mestrado em Letras. Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, UEM, Maringá, PR.

LOPES, M. F. R. (2015). A fala-em-interação de sala de aula contemporânea no ensino médio: o trabalho de fazer aula e fazer aprendizagem de língua espanhola. Tese de Doutorado em Letras. Instituto de Letras, UFRGS, Porto Alegre.

MEHAN, H. (1985). The structure of classroom discourse. In: Dijk, T. Van (Org.), Handbook of discourse analysis. Londres: Academic Press, v. 3, pp. 119-131.

OCHS, E.; SCHEGLOFF, E. A.; THOMPSON, S. (Orgs.). (1996). Interaction and grammar. Cambridge: Cambridge University Press.

O’CONNOR, M.; MICHAELS, S. (1996). Shifting participant frameworks: orchestrating thinking practices in group discussion. In: Dijk, T. Van (Org.), Discourse, learning and schooling. Cambridge: Cambridge University Press, pp. 63-103.

RAMPTON, B. (2006). Language in late modernity: Interaction in an urban school. Cambridge: Cambridge University Press.

RIO GRANDE DO SUL. (2009). Referenciais curriculares. Porto Alegre: Departamento Pedagógico, Secretaria de Educação. Disponível em: http://www.educacao.rs.gov.br/pse/html/refer_curric.jsp?ACAO=acao1. Acesso em: 16 out. 2015.

SACKS, H.; SCHEGLOFF, E., JEFFERSON, G. (2005). Sistemática elementar para a organização da tomada de turnos para a conversa. Veredas, v. 7, nº 1-2, pp. 9-73. [Tradução de SACKS, H.; SCHEGLOFF, E.; JEFFERSON, G. (1974). A simplest systematic for the organization of turn-taking for conversation. Language, v. 50, pp. 696-735.]

SAHLSTRÖM, F. (2011). Learning as social action. In: Hall, J. K.; Hellermann, J.; Pekarek Doehler, S. (Orgs.), The development of interactional competence. Bristol, RU: Multilingual Matters, pp. 45-65.

SCHULZ, L. (2007). A construção da participação na fala-em-interação de sala de aula: um estudo microetnográfico sobre a participação em uma escola municipal de Porto Alegre. Dissertação de Mestrado em Letras. Instituto de Letras, UFRGS, Porto Alegre.

SINCLAIR, J. M.; COULTHARD, M. (1975). Toward an analysis of discourse. Londres: Oxford University Press.

STAHL, G. (2011). How a virtual math team structured its problem solving. In: International Conference on Computer-Supported Collaborative Learning (CSCL 2011). Hong Kong, China. Proceedings, pp. 256-263.

TEN HAVE, P. (1999). Doing conversation analysis: A practical guide. Londres: Sage.

WARING, H. Z. (2008). Using explicit positive assessment in the language classroom: IRF, feedback, and learning opportunities. The Modern Language Journal, v. 92, nº 4, pp. 577-594.

Publicado
2017-10-19
Como Citar
Garcez, P., & Lopes, M. F. R. (2017). Oportunidades de aprendizagem na nova ordem comunicativa da fala-em-interação de sala de aula contemporânea: língua espanhola no ensino médio. Trabalhos Em Linguística Aplicada, 56(1), 65-95. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8650762
Seção
Artigos