“Cultura de paz”: gênese de uma fórmula entre discursos de guerra e violência

  • Helena Boschi Universidade Federal de São Carlos
Palavras-chave: Cultura de paz. Fórmula discursiva. Circulação de discursos.

Resumo

Neste trabalho, buscamos rastrear o percurso do sintagma “cultura de paz” no espaço público brasileiro desde sua gênese institucional até o ano de 2012, verificando sua consolidação durante a Década Internacional de uma Cultura de Paz e Não Violência para as Crianças do Mundo (2001-2010 – ONU) e seu funcionamento como fórmula discursiva (KRIEG-PLANQUE, 2010). Mostramos como é produzido um efeito de consenso na superfície linguística de um sintagma que, ao circular, é convocado por interpretações diversas que partem majoritariamente do sema central “convivência”. Teremos como foco a relação entre a gênese de “cultura de paz” e a circulação de “discursos de guerra e de violência” materializados em práticas e objetos técnicos cotidianos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Helena Boschi, Universidade Federal de São Carlos
Doutoranda do PPGLinguística da UFSCar. Bolsista FAPESP.

Referências

ADAMS, D. et al (2011). Report on the Decade for a Culture of Peace: Final Civil Society Report on the United Nations International Decade for a Culture of Peace and Non-violence for the Children of the World (2001-2010). Disponível em: http://www.fund-culturadepaz.org/spa/DOCUMENTOS/Report_on_the_Decade_for_a_Culture_of_Peace.pdf. Acesso em 3 de julho de 2017.

ADAMS, D. (2005) Definition of Culture of Peace, in Global Movement for a Culture of Peace. Disponível em: http://www.culture-of-peace.info/copoj/definition.html. Acesso em 28 de julho de 2017.

AZEREDO, J. C. (2011). Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Publifolha.

BOSCHI, H. (2014). A constituição da fórmula discursiva “cultura de paz”: circulação e produção dos sentidos. Dissertação (Mestrado em Linguística). Centro de Educação e Ciências Humanas. Universidade Federal de São Carlos, São Carlos.

BRASIL (2013). Congresso Nacional. Câmara dos Deputados. Projeto de lei e outras proposições. Disponível em: http://www.camara.gov.br/internet/sileg/. Acesso em 17 de abril de 2016. Resultados de pesquisa realizada com a entrada “cultura de paz”.

COMITÊ PAULISTA PARA A DÉCADA DA CULTURA DE PAZ. Manifesto 2000. Disponível em http://www.comitepaz.org.br/o_manifesto.htm. Acesso em 28 de julho de 2017.

COURTINE, J. J (2009). Análise do discurso político: o discurso comunista endereçado aos cristãos. São Carlos, SP: EdUFSCar.

DISKIN, Lia (2009). Cultura de paz: redes de convivência. SENAC São Paulo. Versão digital disponível em: http://www1.sp.senac.br/hotsites/gd4/culturadepaz/. Acesso em 24 de junho de 2017.

DISKIN, L.; NOLETO, M. J. (2010) (coord.). Cultura de paz: da reflexão à ação - Balanço da Década Internacional da Promoção da Cultura de Paz e Não Violência em Benefício das Crianças do Mundo. UNESCO.

DUCHENE, A. (2004). “Construction institutionnelle des discours : idéologies et pratiques dans une organisation supranationale”, TRANEL. Travaux neuchâtelois de linguistique, Université de Neuchâtel, n°40, pp.93-115.

KRIEG-PLANQUE, A. (2003). “Purification ethnique”. Une formule et son histoire. Paris, CNRS Editions.

KRIEG-PLANQUE, A. (2009). Por uma análise discursiva da comunicação: a comunicação como antecipação de práticas de retomadas e de transformação dos enunciados. In: Linguasagem: revista eletrônica de divulgação científica. 16ª. edição. São Carlos: DL-UFSCar. Disponível em: HTTP://www.letras.ufscar.br/linguasagem/edicao16/index.php. Acesso em 20 de abril de 2018.

KRIEG-PLANQUE, A. (2010). A noção de “fórmula” em análise do discurso: quadro teórico e metodológico. Trad. Luciana Salazar Salgado, Sírio Possenti. São Paulo: Parábola Editorial.

KRIEG-PLANQUE, A. (2011). “Fórmulas” e “lugares discursivos”: propostas para a análise do discurso político. In: Motta, Ana Raquel; Salgado, Luciana Salazar. Fórmulas discursivas. São Paulo: Contexto. p.11-40.

KRIEG-PLANQUE, A. (2012). Analyser les discours institutionnels. Paris: Armand Colin, 2012.

KRIEG-PLANQUE, A.; OGER, C. (2010). “Discours institutionnels : perspectives pour les sciences de la communication”, Mots. Les langages du politique, Lyon, ENS Editions, n°94, pp. 91-96.

MAINGUENEAU, D. (1984). Gênese dos discursos. Trad. Sírio Possenti. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

MAINGUENEAU, D. (2006). Cenas da enunciação. Org. Sírio Possenti e Maria Cecília Pérez de Souza-e-Silva. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

MATTELART, A. (2005). Diversidade Cultural e mundialização. Trad. Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola.

MELGAÇO, L. (2010). Securização urbana: da psicoesfera do medo à tecnoesfera da segurança. Tese (Doutorado). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Universidade de São Paulo, São Paulo.

NOBRE, A. L. (2012). Guerra e paz. In: BATISTA, V. M. (org.). Paz armada. Rio de Janeiro: Revan / ICC. p.9-13. (Cadernos de criminologia, 1)

ONU (1999a). Declaration on a Culture of Peace. Disponível em: <http://cpnn-world.org/resolutions/resA-53-243A.html>. Acesso em 28 de julho de 2017.

ONU (1999b). Programme of Action on a Culture of Peace. The Culture Of Peace News Network. Disponível em: <http://cpnn-world.org/resolutions/resA-53-243B.html>. Acesso em 28 de junho de 2017.

PÊCHEUX, M. (1988). Semântica e Discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Trad. Eni Orlandi et al. Campinas: Ed. da Unicamp.

PÊCHEUX, M. (1990). O discurso: estrutura ou acontecimento. 3 ed. Trad. Eni Orlandi. São Paulo: Pontes.

POSSENTI, S. (2009). A noção de acontecimento. In: Questões para analistas do discurso. São Paulo: Parábola Editorial.

PREFEITURA DE SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação. Disponível em: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/esportes/cultura_de_paz/index.php?p=8588. Acesso em 15 de fevereiro de 2017.

SALGADO, L. S. (2011). A leitura como um bem: slogans e consenso. In: MOTTA, A. R.; SALGADO, L. S. (org.). Fórmulas discursivas. São Paulo: Contexto.

SALGADO, L. S.; ANTAS JÚNIOR, R. M. (2011). Criação num mundo sem fronteiras: paratopia no período técnico-científico informacional. In: Acta Scientarum: language and culture. Maringá, v. 33, n. 2, p.259-270, 2011.

SALGADO, L. S.; SILVA, H. M. B. (2014). Gênese discursiva da formula ‘cultura de paz’. Acta Scientarum, Maringá, v. 36, n. 2, p. 131-137, Apr./June.

SANTOS, M. (1994). Técnica, Espaço, Tempo – globalização e meio técnico-científico informacional. 5ª ed. Edusp: São Paulo.

SANTOS, M. (2000). Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro, Record, 2012.

SERRA, C. A.; ZACCONE, O. (2012). Guerra é paz: os paradoxos da política de segurança de confronto humanitário. In: BATISTA, Vera Malaguti (org.). Paz armada. Rio de Janeiro: Revan / ICC. p.23-46. (Cadernos de criminologia, 1)

UNESCO (1995). Unesco and a Culture of Peace: promoting a global movement (Unesco Culture of Peace Programme). Disponível em: http://www.culture-of-peace.info/monograph/page1.html. Acesso em 24 de julho de 2011.

UNESCO (2000). Manifesto 2000. Disponível em: http://www3.unesco.org/manifesto2000/. Acesso em 28 de junho de 2012.

UNITED NATIONS (1988). 1998 UN resolution on the culture of peace. United Nations Documentation. Disponível em: http://www.un.org/depts/dhl/resguide/r53.htm. Acesso em 28 de julho de 2011.

UNITED NATIONS (1999). Programme of Actions. The Culture Of Peace News Network. Disponível em: http://cpnn-world.org/resolutions/resA-53-243B.html. Acesso em 28 de julho de 2011.

Publicado
2018-08-06
Como Citar
Boschi, H. (2018). “Cultura de paz”: gênese de uma fórmula entre discursos de guerra e violência. Trabalhos Em Linguística Aplicada, 57(2), 848-876. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8651922
Seção
Dossier Research practices in literacies across languages and social domains