Arranjos violentos e esperança: Como a linguagem dos direitos humanos operou num atentado em Fortaleza, CE

Autores

  • Daniel Nascimento e Silva Universidade Federal de Santa Catarina Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Claudiana Nogueira de Alencar Universidade Estadual do Ceará

Palavras-chave:

Esperança. Direitos humanos. Metapragmática. Violência.

Resumo

Este artigo tem por objetivo descrever algumas formas de resistência a arranjos violentos contemporâneos –  entendidos como as relações tensas, no Brasil, entre grupos do crime organizado violento e entre estes e o mundo público – que emergiram na fala de pessoas que sobreviveram ou foram afetadas por um atentado terrorista no bairro do Benfica, em Fortaleza, CE, ocorrido em março de 2018. Em linha com outros estudos sobre formas de florescimento subjetivo e coletivo em circunstâncias de violência ou destruição política, damos o nome a essa forma de resistência de ‘esperança’. A partir de entrevistas com dois sobreviventes do atentado, uma professora e um ativista de direitos humanos, defendemos que ter esperança, nesses diálogos que buscavam ressignificar uma fratura, significou responder à violência não por meio de vingança ou de mecanismos extralegais ou excepcionais de violência reativa mas por meio de tropos que informam a defesa dos direitos humanos.

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Biografia do Autor

Daniel Nascimento e Silva, Universidade Federal de Santa Catarina Universidade Federal do Rio de Janeiro

possui licenciatura em Letras - Português/Inglês pela Universidade Estadual do Ceará (2002), mestrado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (2005) e doutorado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (2010). Realizou estágio de doutorado sanduíche (2007-2008) e pós-doutorado (2015-2016) no núcleo de Antropologia Linguística do Departamento de Antropologia da University of California at Berkeley. Publicou, em 2012, o livro "Pragmática da Violência: o Nordeste na Mídia Brasileira" (Rio de Janeiro: 7 Letras) e em 2014 organizou, junto com Dina Ferreira e Claudiana Alencar, o livro "Nova Pragmática: Modos de Fazer" (São Paulo: Cortez). Desenvolve estudos sobre a relação entre significação e violência e sobre letramentos, circulação de discursos e regimes de comodificação linguística no campo das vertentes interacionistas e sociais dos estudos da linguagem. Tem experiência com formação de professores e investiga as relações entre educação e desenvolvimento social e humano.

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Publicado

2018-08-06

Como Citar

SILVA, D. N. e; NOGUEIRA DE ALENCAR, C. Arranjos violentos e esperança: Como a linguagem dos direitos humanos operou num atentado em Fortaleza, CE. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 57, n. 2, p. 675–698, 2018. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8652730. Acesso em: 29 nov. 2022.

Edição

Seção

Dossier Research practices in literacies across languages and social domains