Estudando práticas Quilombolas de resistência no instagram

Autores

Palavras-chave:

Mídias sociais, Práticas multissemióticas, Interseccionalidade, Resistência

Resumo

Este artigo analisa a forma como as práticas semióticas e as subjetividades são performadas na mídia social Instagram por Djankaw, uma quilombola negra e trans. O objetivo do artigo é observar como, através das postagens de Djankaw, sua subjetividade é performada online, focando nas interseções de raça, classe, etnia e sexualidade por elx produzidas. A comunidade onde Djankaw vive luta contra muitas dificuldades, haja vista que seu território tem sido disputado no tribunal com os latifundiários suábios e o negócio capitalista de monocultura que eles praticam. Somente após intensas batalhas legais que parte das terras ancestrais dos quilombolas lhes foi restituída. Mantendo essas disputas jurídicas em nossa atenção, voltamo-nos às performances de Djankaw na internet e às formas como essas performances instigam um debate produtivo sobre a identidade Afro-brasileira ‘quilombola’ e ressoam com as lutas dos grupos marginalizados pela ocupação de diversos tempo-espaços no interior do Brasil. As postagens de Djankaw e suas práticas corpóreas operam como sítios propícios ao questionamento sobre o que significa ser negrx, trans e quilombola. A complexidade das posições de sujeito de Djankaw é aumentada por sua conexão com diferentes religiões; elx incorpora diferentes práticas espirituais que também orquestram discussões sobre raça, sexualidade e gênero. Quando Djankaw performa suas subjetividades na internet, elx mobiliza e reconfigura essas marcas sociais ao mesmo tempo em que se engaja em práticas semióticas de resistência contra o apagamento histórico das culturas quilombolas e luta por espaço nas redes sociais.

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Biografia do Autor

Djankaw Matheus de Lima Marques, Universidade Centro de Ensino Superior de Maringá

Estudante de Graduação em Serviço Social da Universidade Centro de Ensino Superior de Maringá, UNICESUMAR

Mabia Camargo, Universidade Estadual do Centro-Oeste

Professor da Universidade Estadual do Centro-Oeste , Brasil.

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Publicado

2020-12-30

Como Citar

MARQUES, D. M. de L.; CAMARGO, M. Estudando práticas Quilombolas de resistência no instagram. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 59, n. 3, p. 1946–1965, 2020. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8661235. Acesso em: 25 out. 2021.

Edição

Seção

Dossiê