Partes do corpo falantes e agenciamentos

dando corpo à cidadania linguística

Autores

Palavras-chave:

Voz, Corpo, Vulnerabilidade, Cidadania linguística, África do Sul

Resumo

Um dos maiores desafios do nosso tempo é o da falta de voz para corpos maltratados. São os corpos de crianças e homens e mulheres que herdaram as brutalidades do colonialismo, da servidão das plantações e da escravatura, e agora revivem essas misérias no ventre de um capitalismo global neoliberal e patriarcal. São os corpos racializados, sexualizados, generificados e sem deus que primeiro tomaram forma na colonialidade-modernidade em conjunto com a emergência do HOMEM, o macho branco, racional, sem corpo, como HUMANO. Mantêm hoje a sua forma através de tecnologias de vulnerabilidade, com as quais a falta de voz fabricada funciona em sinergia dinâmica. Este é particularmente o caso da África do Sul, com as suas histórias ternas e presentes perturbados, emoção crua e vulnerabilidades dolorosas do patriarcado racializado e neoliberal. Neste artigo, sugerimos que a vulnerabilidade, para além do seu efeito potencialmente devastador nas almas e meios de vida, pode também ser um local produtivo para a articulação de vozes alternativas e habitualmente silenciadas. A este respeito, exploramos a forma como um enfoque em atos de cidadania linguística pode orientar o pensamento sobre voz e agência para diferentes locais do corpo, bem como permitir uma visão das complexas tecnologias e práticas de vulnerabilidade.

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Biografia do Autor

Christopher Stroud, Universidade do Cabo Ocidental

Centro de Pesquisa em Multilinguismo e Diversidades (CMDR), Universidade do Cabo Ocidental (UWC), África do Sul/Centro de Pesquisa de Bilinguismo, Universidade de Estocolmo (SU), Estocolmo.

Quentin Williams, University of the Western Cape

Departamento de Linguística/Centro de Pesquisa em Multilinguismo e Diversidades (CMDR), Universidade do Cabo Ocidental (UWC).

Ndimphiwe Bontiya, Universidade do Cabo Ocidental

Departamento de Linguística/Centro de Pesquisa em Multilinguismo e Diversidades (CMDR), Universidade do Cabo Ocidental (UWC).

Janine Harry, Universidade do Cabo Ocidental

Departamento de Linguística/Centro de Pesquisa em Multilinguismo e Diversidades (CMDR), Universidade do Cabo Ocidental (UWC).

Koki Kapa, Universidade de Witwatersrand


Universidade de Witwatersrand, Joanesburgo, África do Sul

Jaclisse Mayoma, Universidade do Cabo Ocidental

Departamento de Linguística/Centro de Pesquisa em Multilinguismo e Diversidades (CMDR), Universidade do Cabo Ocidental (UWC).

Sibonile Mpendukana, Universidade do Cabo Ocidental

Departamento de Linguística/Centro de Pesquisa em Multilinguismo e Diversidades (CMDR), Universidade do Cabo Ocidental (UWC).

Amiena Peck, Universidade do Cabo Ocidental

Departamento de Linguística/Centro de Pesquisa em Multilinguismo e Diversidades (CMDR), Universidade do Cabo Ocidental (UWC).

Jason Richardson, Universidade do Cabo Ocidental

Departamento de Linguística/Centro de Pesquisa em Multilinguismo e Diversidades (CMDR), Universidade do Cabo Ocidental (UWC).

Shanleigh Roux, Universidade do Cabo Ocidental

Departamento de Linguística/Centro de Pesquisa em Multilinguismo e Diversidades (CMDR), Universidade do Cabo Ocidental (UWC).

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Publicado

2020-12-30

Como Citar

STROUD, C.; WILLIAMS, Q.; BONTIYA, N.; HARRY, J.; KAPA, K.; MAYOMA, J.; MPENDUKANA, S.; PECK, A.; RICHARDSON, J.; ROUX, S. Partes do corpo falantes e agenciamentos: dando corpo à cidadania linguística. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 59, n. 3, p. 1636–1658, 2020. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8663367. Acesso em: 25 out. 2021.

Edição

Seção

Dossiê