História oral e educação matemática: de um inventário a uma regulação

  • Antonio Vicente Marafioti Garnica Universidade Estadual Paulista
Palavras-chave: História oral. Educação matemática.

Resumo

Apresentamos, nesse artigo, uma “regulação” da prática em História Oral para a Educação Matemática. Nessa regulação focamos a seleção dos depoentes, a coleta de dados, a transcrição e a textualização dos relatos e a análise (que preferimos chamar “arremate de compreensões”), entendendo História Oral como um fazer hermenêutico. Finalizamos discutindo, ainda que brevemente, a restituição e os compromissos sociais dos pesquisadores em História Oral e apresentamos, em seguida, uma listagem bibliográfica composta não somente dos textos referenciados nesse artigo, mas de materiais vários que poderão servir de guia aos possíveis leitores interessados em debruçar-se mais nesse tema cujas linhas são aqui tramadas de modo apenas inicial.

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Biografia do Autor

Antonio Vicente Marafioti Garnica, Universidade Estadual Paulista
Professor da Licenciatura em Matemática e do Programa de Pós-graduação em Educação para a Ciência – UNESP – Bauru, e do Programa de Pós-graduação em Educação Matemática – UNESP – Rio Claro.

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Publicado
2009-02-19
Como Citar
Garnica, A. V. M. (2009). História oral e educação matemática: de um inventário a uma regulação. Zetetike, 11(1), 9-56. https://doi.org/10.20396/zet.v11i19.8646949
Seção
Artigo