Observação e experiência como fio condutor da Geometria de Heitor Lyra da Silva

Palavras-chave: Rio de Janeiro. Ensino primário. História do manual didático. Transferências culturais.

Resumo

O artigo analisa o livro didático Geometria (Observação e Experiência), publicado em 1923 por Heitor Lyra da Silva, para o ensino primário. O objetivo desta pesquisa de cunho documental é caracterizar a proposta modernizadora do autor, identificando elementos que a aproximem ou distanciem de referências estrangeiras em voga à época, tendo em conta a transferência de saberes e sua circulação internacional. As palavras-chave “observação e experiência” caracterizam sua proposta de ensino para a Geometria e estão em sintonia com princípios pedagógicos de autores franceses. Em lugar de explorar o desenho à mão livre ou o desenho geométrico, marca dos livros do século XIX, os trabalhos manuais são inseridos, observados, explorados na iniciação do aluno ao estudo das formas, e introduzidas as imagens fotográficas de lugares, que ajudam na abordagem de conceitos. O autor inova ao intercalar conceitos da Geometria plana e espacial, defendendo uma abordagem pedagógica francesa de “círculos concêntricos”.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Circe Mary Silva da Silva, Universidade Federal de Pelotas
Doutora em Pedagogia pela Universidade de Bielefeld (Alemanha). Professora do mestrado em Educação Matemática da Universidade Federal de Pelotas. Membro do GHEMAT.
Maria Célia Leme da Silva, Universidade Federal de São Paulo
Doutora em Educação (Currículo) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professora do Departamento de Física e do Programa de Pós-Graduação em Educação e Saúde na Infância e na Adolescência da Universidade Federal de São Paulo. Membro do GHEMAT.

Referências

Barbaresco, C. S., & Costa, D. A. (2018). Os saberes para ensinar e saberes a ensinar aritmética na Escola de Aprendizes Artífices de Santa Catarina. Revista Diálogo Educacional, 18(58), 890-921.

Bourlet, C. (1907). Cours abrégé de Géométrie. I. Géométrie Plane (2a ed.). Paris: Hachette.

Chervel, A. (1990). História das disciplinas escolares: reflexões sobre um campo de pesquisa. Teoria & Educação, 2, 177-229.

Dassie, B. A., & Carvalho, J. B. P. F. (2010). Euclides Roxo: engenheiro, professor, intelectual e educador matemático. Bolema, 23(35A), 137-158.

Edital. (1926). Jornal do Brasil, 23 de junho, 20.

D’Enfert, R. (2003). l’enseignement mathematique a l’ecole primaire de la revolution à nos jours (Tome 1: 1791-1914). Paris: Institut National de Recherche Pédagogique.

Directoria Geral de Instrucção Publica. (1926, fevereiro). Jornal do Brasil, 25 de fevereiro, 7.

Espagne, M. (1999). Les transferts culturels franco-allemands. Paris: PUF.

Fontaine, A. (2014). Pedagogia como transferência cultural no espaço franco-suíço: mediadores e reinterpretações de conhecimento (1850-1900). História da Educação, 18(42), 187-207.

Forquin, J. C. (1992). Saberes escolares, imperativos didáticos e dinâmicas sociais. Teoria & Educação, (6), 28-49.

Frizzarini, C. R. B., & Leme da Silva, M. C. (2016). Saberes geométricos de Calkins e sua apropriação nos programas de ensino dos grupos escolares paulistas. Revista Brasileira de História da Educação, 16(3[42]), 10-35.

Frizzarini, C. R. B. (2018). Saberes matemáticos na matéria Trabalhos Manuais: processos de escolarização do fazer, São Paulo e Rio de Janeiro (1890-1960) (Tese Doutorado em Ciências). Universidade Federal de São Paulo, São Paulo.

Gomes, M. L. M. (2011). Lições de coisas: apontamentos acerca da geometria no manual de Norman Allison Calkins (Brasil, final do século XIX e início do XX). Revista Brasileira de História da Educação, 11(26), 53-80.

Gomes, C. A. (2015). Os engenheiros da Associação Brasileira de Educação (ABE): confluências entre as ideias educacionais e urbanas na cidade do Rio de Janeiro nos anos iniciais do século XX (Dissertação de Mestrado em Educação). Universidade Estadual de Campinas, Campinas.

Laisant, C. (1919). Iniciação matematica (Henrique Schindler, Trad., 2a ed.). Lisboa: Guimarães.

Leme da Silva, M. C. (2018). Práticas de desenho e saberes geométricos nos manuais escolares do século XIX. Pro-Posições, 29(2[87]), 352-369.

Matasci, D. (2016). A França, a escola republicana e o exterior: perspectivas para uma história internacional da educação no século 19. História da Educação, 20(50), 139-155.

Meray, C. (1903). Nouveaux éléments de géométrie (2a ed.). Dijon: P. Jobard.

Para o ensino nos estabelecimentos do Ministerio da Agricultura (1925). Jornal do Brasil, 9 de abril, 6.

Rodrigues, H. (2010). Transferência de saberes: modalidades e possibilidades. História: Questões & Debates, (53), 203-255.

Silva, H. L. (1923). Geometria (Observação e Experiência). Rio de Janeiro: Livraria Editora Leite Ribeiro.

Trouvé, A. (2008). La notion de savoir élémentaire à l’école . Paris: L’Harmattan.

Valente, W. R. (2007). Uma história da matemática no Brasil (1730-1930) (2a ed.). São Paulo: Annablume.

Publicado
2019-04-15
Como Citar
Silva, C. M. S. da, & Silva, M. C. L. da. (2019). Observação e experiência como fio condutor da Geometria de Heitor Lyra da Silva. Zetetike, 27, e019011. https://doi.org/10.20396/zet.v27i0.8654092
Seção
Dossiê - Impressos para o ensino ou textos de referência e História da Educação Matemática: leituras e interpretações