Formação e alteridade: pesquisa na e com a escola

Autores

  • Laura Noemi Chaluh Universidade Estadual de Campinas

Palavras-chave:

Formação. Alteridade. Pesquisa da educação. Trabalho coletivo. Ensino fundamental. Narrativa.

Resumo

Este estudo traz minha experiência formativa enquanto pesquisadora ao optar por desenvolver uma pesquisa em uma Escola Municipal de Ensino Fundamental, “Escola Padre Francisco Silva”, em Campinas - SP, no período de 2003-2005. Nesse percurso, participei de dois espaçostempos de reflexão coletiva, o Trabalho Docente Coletivo (TDC) e o Grupo de Reflexão sobre Letramento e Alfabetização (GA), grupos constituídos pelas professoras das primeiras séries iniciais e pela equipe de gestão. A presença na escola tinha como objetivo compreender como as professoras recriavam a política pública de formação, na tentativa de entender quais os sentidos que essa assumia nesses espaçostempos, como se constituíam esses grupos e quais as possibilidades de desenvolver um trabalho coletivo a partir deles. A sala de aula também foi um lugar privilegiado de vivência visto que colaborei com o trabalho pedagógico de duas professoras junto aos seus alunos e alunas. Nesse contexto foi possível problematizar uma diversidade de aspectos que no seu conjunto oferecem um olhar caleidoscópico da escola pública. Esse olhar permitiu acompanhar: o processo de constituição do grupo de professoras que, ao tomar consciência das contradições postas na escola, promoveram uma série de ações a partir de um trabalho coletivo; a ênfase na palavra falada e escrita quando assumida pelas professoras, alunos para a emancipação; a problematização da homogeneidade e da igualdade; o acolhimento e a hospitalidade na escola; o olhar da professora pesquisadora e os sentidos da avaliação dentre outros. Ao entrar na escola e viver a escola, no encontro com os outros, fui mobilizada a refletir a respeito da minha própria formação e minha constituição enquanto pesquisadora. Nesse sentido, fui levada não só a me questionar sobre meu lugar enunciativo, sobre minha subjetividade no processo de construção da pesquisa, como também problematizar a simultaneidade de lugares (não-lugares) ocupados, atribuindo sentidos outros à presença de uma pesquisadora na escola. Este trabalho apresenta acontecimentos e encontros com as professoras e leva a marca do pensamento bakhtiniano – principalmente os conceitos de alteridade e diálogo – instâncias fundamentais tanto para o processo de formação das professoras como para o meu enquanto pesquisadora. A formação é compreendida, neste estudo, como uma relação de provoca-ação, na qual o outro se apresenta como desencadeador de diferentes e diversos processos formativos. A perspectiva de pesquisa construída a partir deste trabalho, “pesquisa na e com a escola”, está sustentada por uma trilogia – pesquisa - alteridade- formação – que diz da potencialidade da pesquisa quando relacionada ao processo formativo: o encontro escola e universidade, o diálogo e a colaboração. Minha experiência como pesquisadora que, enquanto pesquisa, forma e se forma com as professoras, é apresentada em forma de narrativa, evidenciando a importância da recuperação das histórias coletivas construídas na escola e sabendo que, além dos sentidos produzidos neste trabalho, novas e outras histórias serão criadas. 

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Biografia do Autor

Laura Noemi Chaluh, Universidade Estadual de Campinas

Professora para o Ensino Primário. Licenciada em Ciências da Educação. Doutora em Educação pela Faculdade de Educação da UNICAMP, pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Continuada (GEPEC)

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Publicado

2009-02-04

Como Citar

Chaluh, L. N. (2009). Formação e alteridade: pesquisa na e com a escola. ETD - Educação Temática Digital, 10(1), 248–249. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/1028