Banner Portal
Currículos acadêmicos e extensão universitária: sentidos em disputa
PDF

Palavras-chave

Currículo acadêmico. Extensão universitária. Flexibilização curricular.

Como Citar

FERREIRA, Márcia Serra; GABRIEL, Carmen Teresa. Currículos acadêmicos e extensão universitária: sentidos em disputa. ETD - Educação Temática Digital, Campinas, SP, v. 9, p. 185–200, 2009. DOI: 10.20396/etd.v9i0.1051. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/1051. Acesso em: 30 maio. 2024.

Resumo

Este artigo tem como objetivo analisar os sentidos de currículo acadêmico e de extensão universitária que têm sido produzidos e que circulam no âmbito acadêmico. Investigando materiais produzidos por diferentes atores sociais que atuam na Universidade Federal do Rio de Janeiro, interessa-nos compreender as lutas hegemônicas responsáveis pelo posicionamento da extensão nos currículos acadêmicos. Dialogando com autores que têm focalizado a universidade (Boaventura de Sousa Santos) e seus currículos (Antonio Flavio Moreira), assim como aqueles que têm problematizado as interfaces entre conhecimento, poder e cultura – tais como Alice Casimiro Lopes e Elizabeth Macedo –, sustentamos a idéia de que a extensão, como espaço ambivalente, reproduz e subverte discursos hegemônicos sobre os conhecimentos acadêmicos. A análise realizada permitiu-nos identificar, nos textos investigados, a presença de ambivalências expressas por meio de marcas subversivas e, simultaneamente, de vestígios de outros discursos que participam das lutas hegemônicas pela estabilização de sentidos sobre extensão universitária. Defendemos que a extensão, ao se aproximar da lógica disciplinar, busca se fortalecer no âmbito universitário afastando-se do lugar de subalternidade no qual tem sido historicamente colocada e apostando em um novo campo de possibilidades, ainda que criticando essa mesma lógica por meio da noção (igualmente ambivalente) de ‘flexibilização curricular’. 

https://doi.org/10.20396/etd.v9i0.1051
PDF

Referências

BALL, S. J.; BOWE, R. The policy processes and the processes of policy. In: BOWE, R.; BALL, S. J.; GOLD, A. (Orgs.) Reforming education and changing schools: case studies in policy sociology. London/New York: Routledge, p. 6-23, 1992.

BALL, S. J. Big policies/small world: an introduction to international perspectives in education policy. Comparative Education, v. 34, n. 2, p. 119-129, 1998.

BALL, S. J. Diretrizes políticas globais e relações políticas locais em educação. Currículo sem Fronteiras, v. 1, n. 2, p. 99-116, 2001.

DIAS, R. E. & LOPES, A. C. Competências na formação de professores no Brasil; o que (não) há de novo. Educação e Sociedade, v. 24, n. 85, p.1155-1177, 2003.

FERREIRA, M. S. A história da disciplina escolar Ciências no Colégio Pedro II (1960-1980). 209 fl. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 2005.

FERREIRA, M. S. Investigando os rumos da disciplina escolar Ciências no Colégio Pedro II (1960-1970). Educação em Revista, n. 45, p. 127-144, 2007.

FRANGELLA, R. C. Profissionalidade – currículo da formação de professores – Educação Infantil: identidade sólida em tempos incertos? In: Anais do VIII Encontro de Pesquisa em Educação da Região Sudeste. Vitória: ANPEd, PPGE/UFES, Edufórum, p. 1-14, 2007.

GABRIEL, C. T. E se o currículo fosse multiculturalmente orientado? In: Anais do XIV Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino. Porto Alegre: PUCRS e UNISINOS, 2008a.

GABRIEL, C. T. Conhecimento escolar, cultura e poder: desafios para o campo do Currículo em “tempos pós”. In: MOREIRA, A. F. & CANDAU, V. M. (Orgs.) Multiculturalismo: diferenças culturais e práticas pedagógicas. Petrópolis: Vozes, p. 212-245, 2008b.

GABRIEL, C. T.; FERREIRA, M. S.; MONTEIRO, A. M. Democratização da universidade pública no Brasil: circularidades e subversões nas políticas de currículo. In: LOPES, A. C. et al. (Orgs.) Políticas educativas e dinâmicas curriculares no Brasil e em Portugal. Rio de Janeiro: DP et Alii, p. 251-266, 2008.

GARCÍA CANCLINI, N. Culturas híbridas: estratégias para entrar e sair da modernidade. São Paulo: EDUSP, 1997.

GOODSON, I. F. Currículo: teoria e história. Petrópolis: Vozes, 1995.

GOODSON, I. F. A construção social do currículo. Lisboa: Educa, 1997.

LOPES, A. C. Política de currículo: recontextualização e hibridismo. Currículo sem

Fronteiras, v. 5, n. 2, p. 50-64, 2005.

LOPES, A. C. Discursos nas políticas de currículo. Currículo sem Fronteiras, v. 6, n. 2, p. 33-52, 2006.

MACEDO, E. Currículo e hibridismo: para politizar o currículo como cultura. Educação em Foco, v. 8, n. 1 e 2, p. 13-30, 2003/2004.

MACEDO, E. Currículo como espaço-tempo de fronteira cultural. Revista Brasileira de Educação, v. 11, n. 32, p. 285-296, 2006a.

MACEDO, E. Currículo: política, cultura e poder. Currículo sem Fronteiras, v. 6, n. 2, p. 98-113, 2006b.

MACEDO, E. Por uma política da diferença: o que está em pauta em nossas políticas educacionais? Cadernos de Pesquisa, v. 36, n. 128, p. 327-356, 2006c.

MOREIRA, A. F. O processo curricular do ensino superior no contexto atual. In: PASSOS, I. P. A.; NAVES, M. L. P. (Orgs.) Currículo e avaliação na Educação Superior. Araraquara: Junqueira & Marin, p. 1-24, 2005.

ROCHA, A. A. C. N. No entrecruzamento de políticas de currículo e de formação docente: uma análise do manual do professor do livro didático de geografia. 2008. 175 fl. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008.

SANTOS, B. S. Da idéia de universidade a universidade de idéias. In: Pela mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade. 7a ed. São Paulo: Cortez, p. 187-233, 2000.

TERRERI, L. Políticas curriculares para a formação de professores em Ciências Biológicas: investigando sentidos de prática. 2008. Dissertação (Mestrado). Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008.

A ETD - Educação Temática Digital utiliza a licença do Creative Commons (CC), preservando assim, a integridade dos artigos em ambiente de acesso aberto.

Downloads

Não há dados estatísticos.