O reconhecimento de alunos com altas habilidades/superdotação na escola de surdos: problematizando a constituição escolar

Autores

  • Tatiane Negrini Universidade Federal de Santa Maria
  • Soraia Napoleão Freitas Universidade Federal de Santa Maria

DOI:

https://doi.org/10.20396/etd.v15i3.1272

Palavras-chave:

Escola. Identificação. Altas habilidades/superdotação. Surdos.

Resumo

A proposta da educação inclusiva coloca sob responsabilidade da escola a educação dos alunos de acordo com suas especificidades, inclusive dos sujeitos com altas habilidades/superdotação. No entanto a escola vê-se envolvida e influenciada por uma rede de relações políticas, sociais, culturais, etc. e precisa dar conta de suas funções pedagógicas. Neste sentido, este debate faz um recorte de alguns resultados de uma pesquisa desenvolvida durante o Mestrado no Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Maria. Este trabalho busca tencionar algumas peculiares que entrecruzam a constituição do ambiente escolar e o reconhecimento dos alunos surdos com altas habilidades/superdotação. A partir de uma análise qualitativa, utilizaram-se os estudos de alguns autores como Pérez (2004), Varela; Alvarez-Uría (1992), Lunardi (2004), Forquin (1993) entre outros, para debater a respeito da temática proposta, sendo que pensar o reconhecimento destes alunos envolve percebê-los como sujeitos diferentes em suas peculiaridades, mas que necessitam dos demais para se constituir, para organizar e significar sua identidade como tal. A identificação dos alunos surdos com características de altas habilidades/superdotação fez com que os envolvidos neste processo passassem a construir um conhecimento sobre a temática e sobre estas pessoas, desvelando novos saberes e desconstruindo outros. Constatou-se, também, que a cultura a qual a pessoa está inserida influencia no reconhecimento de suas habilidades, uma vez que o ambiente pode valorizar mais certos conhecimentos em detrimento de outros, assim como incentivar com maior empenho algumas habilidades mais valorizadas por aquele grupo ou por aquela cultura.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Tatiane Negrini, Universidade Federal de Santa Maria

Educadora Especial, Especialista em Educação Especial: Altas habilidades/superdotação e Especialista em Gestão Educacional; Mestre em Educação; Doutoranda em Educação/UFSM.

Soraia Napoleão Freitas, Universidade Federal de Santa Maria

Professora Dra. do Departamento de Educação Especial/UFSM e do Programa de Pós-graduação em Educação/UFSM.

Referências

BONDÍA, Jorge Larrosa. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 19, p. 20-28, jan./abr. 2002.

BRASIL. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. 9394/1996. Brasília: MEC, 1996.

BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília: MEC/SEESP, 2008.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Diretrizes gerais para o atendimento educacional dos alunos portadores de altas habilidades/super-dotação e talentos. Brasília: MEC/SEESP, 1995.

CHIZZOTTI, Antonio. Pesquisa em ciências humanas e sociais. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2006.

FORQUIN, Jean-Claude. Escola e cultura: as bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar. Tradução de Guacira Lopes Louro – Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

GARDNER, Howard. Inteligências múltiplas: a teoria na prática. Trad. Maria Adriana Veríssimo Veronese. Porto Alegre: Artmed, 1995.

LUNARDI, Márcia Lise. Educação Especial: institucionalização de uma racionalidade científica. In: THOMA, Adriana da Silva; LOPES, Maura Corcini (Org.). A invenção da surdez: cultura, identidade e diferença no campo da educação. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2004.

NEGRINI, Tatiane. A escola de surdos e os alunos com altas habilidades/superdotação: uma problematização decorrente do processo de identificação das pessoas surdas. 2009. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Educação – Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2009.

PÉREZ, Susana Graciela Pérez Barrera. Gasparzinho vai à escola: um estudo sobre as características do aluno com altas habilidades produtivo-criativo. 2004. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Educação – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2004.

RENZULLI, Joseph S. O Que é Esta Coisa Chamada Superdotação, e Como a Desenvolvemos? Uma retrospectiva de vinte e cinco anos. Revista Educação, Porto Alegre, Ano 27, n.1 (52), jan./abr. 2004.

SKLIAR, Carlos. Um olhar sobre o nosso olhar acerca da surdez e as diferenças. In: SKLIAR, Carlos (Org.) A surdez: um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre: Mediação, 1998.

VARELA, Julia; ALVAREZ-URÍA, Fernando. A maquinaria escolar. Teoria e Educação, n. 6, 1992.

WINNER, Ellen. Crianças superdotadas: mitos e realidades. Trad. Sandra Costa. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

Downloads

Publicado

2013-11-05

Como Citar

Negrini, T., & Freitas, S. N. (2013). O reconhecimento de alunos com altas habilidades/superdotação na escola de surdos: problematizando a constituição escolar. ETD - Educação Temática Digital, 15(3), 547–559. https://doi.org/10.20396/etd.v15i3.1272