A linguagem do corpo e o lugar do educador

Autores

  • Daniel Revah Universidade Federal de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.20396/etd.v8i0.694

Palavras-chave:

Educador. Corpo. Discursos educacionais. Educação alternativa. Construtivismo.

Resumo

Na década de 1970, nos discursos educacionais que no Brasil constituem o campo da educação alternativa, a palavra postura torna-se um dos significantes que demarcam o lugar do educador, de todos talvez o mais incisivo. Esse significante, que desde então reúne traços e articulações discursivas que procedem do campo alternativo, em fins da década seguinte fica sob a injunção do discurso pedagógico que se configura nesse período: o construtivismo. A postura continua como um elemento importante, mas ela não mais se configura assentada no largo registro das experiências alternativas que haviam surgido alicerçadas pelos questionamentos de natureza política e cultural. A postura, agora do professor, é concebida como algo que resulta da compreensão e assimilação de uma teoria que surge sob a marca da ciência. Em meados da década de 1990, quando o construtivismo adquire um claro viés tecnicista, o lugar do professor sofre uma nova inflexão, esvanecendo-se o que era da ordem da sua postura. Este artigo recupera alguns elementos desse percurso para nele situar o lugar do educador ou professor, que aqui será pensado a partir dos traços e significantes que o definem e que concernem ao corpo e a sua linguagem. 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Daniel Revah, Universidade Federal de São Paulo

Professor do curso de Pedagogia da Universidade Federal de São Paulo Unifesp/Campus Guarulhos.

Referências

AMEPPE (Associação Movimento de Educação Popular Integral). O educativo no movimento social: a pedagogia das creches comunitárias. Educação Popular, Belo Horizonte/MG, n. 4, p. 520, abr. 1989.

CRIARTE. Resumo das palestras com as mães. São Paulo, [197-]. (Mimeo.).

FERRAZ, C. R. et al. Uma revolução na ótica do que é ensinar e aprender. Nova Escola, São Paulo, ano 4, n. 28, p. 12-18, mar. 1989.

FREIRE, M. A paixão de conhecer o mundo: relato de uma professora. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 8. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980. 218 p.

KEHL, M. R. As duas décadas dos anos 70. In: RISÉRIO, A. et al. Anos 70: trajetórias. São Paulo: Itaú Cultural/Iluminuras, 2005. p. 31-37.

LAGÔA, A. et al. Dez anos de construtivismo no Brasil. Nova Escola, São Paulo, ano 4, n. 48, p. 10-18, maio 1991.

LAGÔA, A. As agruras do caminho construtivista. Nova Escola, São Paulo, ano 6, n. 65, p.8-14, abr. 1993.

NOVA ESCOLA. O tira-teima do construtivismo. 50 grandes e pequenas dúvidas esclarecidas. Nova Escola, São Paulo, ano 10, n. 82, p. 8-13, mar. 1995a.

NOVA ESCOLA. Entrevista com o ministro Paulo Renato Souza. O que esperar e o que não esperar do MEC. Nova Escola, São Paulo, ano 10, n. 82, p. 8-13, mar. 1995b.

REVAH, D. Na trilha da palavra “alternativa”: a mudança cultural e as pré-escolas “alternativas”. 1994. 299 f. Dissertação (Mestrado em Sociologia) ─ Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1994.

REVAH, D. Construtivismo: uma palavra no circuito do desejo. 2004. 530 f. Tese (Doutorado em Psicologia e Educação) ─ Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004.

REVAH, D. A educação alternativa. In: RISÉRIO, A. et al. Anos 70: trajetórias. São Paulo: Itaú Cultural/Iluminuras, 2005, p. 159-178.

REVAH, D. Construtivismo: no ponto de inversão. In: CONGRESSO LUSO-BRASILEIRO DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO, 6, 2006, Uberlândia [Anais...] Uberlândia: EDUFU/Núcleo de Estudos e Pesquisas em História e Historiografia da Educação. 1 CD-ROM. Disponível em: www.faced.ufu/colubhe06/anais/principal.htm.

REVAH, D. Imagens no “caminho construtivista” da Nova Escola. In: SOUZA, G. (Org.). A criança em perspectiva: olhares do mundo sobre o tempo infância. São Paulo: Cortez, 2007.

SPOSITO, M. P.; RIBEIRO, V. M. Escolas comunitárias: contribuição para o debate de novas políticas educacionais. São Paulo : CEDI, 1989. p. 34.

VIEIRA, M. L. Construtivismo: a prática de uma metáfora. Forma/conteúdo do “construtivismo” em NOVA ESCOLA. 1995. 75f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 1995.

Downloads

Publicado

2008-11-26

Como Citar

Revah, D. (2008). A linguagem do corpo e o lugar do educador. ETD - Educação Temática Digital, 8, 90–118. https://doi.org/10.20396/etd.v8i0.694