Intérprete de língua de sinais legislação e educação: o que temos, ainda, a “escutar” sobre isso?

Autores

  • Vanessa Regina de Oliveira Martins Universidade Paulista

DOI:

https://doi.org/10.20396/etd.v8i0.698

Palavras-chave:

Língua de sinais. Intérprete de língua de sinais. Legislação. Surdez. Psicanálise. Desconstrução.

Resumo

A regulamentação da Libras (Língua Brasileira de Sinais), no decreto 5.626/05, traz uma importante mudança na inclusão do surdo sinalizador nas instituições de ensino, passando, agora, a vigorar o direito da presença do intérprete de língua de sinais como mediador dos saberes que circulam a escola. O Decreto aponta a urgência de uma escuta nossa pela “surdez”. Esta nova dinâmica configura outra forma de se fazer sujeito, de lidar com o outro, com o corpo surdo e o ensino de forma geral na sala de aula. Este artigo tem por objetivo refletir as conseqüências advindas desta legislação – na perspectiva filosófica da desconstrução, filiando-se nos saberes de Jacques Derrida e Michel Foucault, usando, também, a psicanálise como chave de leitura das discussões - articulando a prática da atuação do intérprete de língua de sinais já incorporada em uma instituição de ensino superior.

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Biografia do Autor

Vanessa Regina de Oliveira Martins, Universidade Paulista

Pedagoga com formação em Educação Especial/Puccamp; especialista em Psicopedagogia/Atualize-Unibem; Mestranda em Educação na Unicamp/FE sob orientação da Profa Dra. Regina Maria de Souza, Participante do Grupo de Pesquisa DIS – “Diferenças e Subjetividades em Educação” na UNICAMP; Intérprete de língua de sinais na Unip no Curso de arquitetura e Urbanismo.

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Publicado

2008-11-26

Como Citar

Martins, V. R. de O. (2008). Intérprete de língua de sinais legislação e educação: o que temos, ainda, a “escutar” sobre isso?. ETD - Educação Temática Digital, 8, 171–191. https://doi.org/10.20396/etd.v8i0.698