Da poesia visual concreta à poesia virtual concreta: a ciberliteratura na sala de aula

  • Cynthia Agra de Brito Neves Universidade Estadual de Campinas
Palavras-chave: Leitura poética. Poesia concreta. Ciberliteratura.

Resumo

A acusação de que o jovem aluno do século XXI não se forma leitor tornou-se senso comum em sala de professores e em conversas de adultos. Despertar no aluno o prazer do texto também tem sido tarefa árdua para muitos docentes que se veem entre os muros de uma escola ainda tão tradicional como a brasileira. Sem descartar a importância da leitura dos clássicos, é imprescindível, contudo, que a escola – e, metonimicamente, o professor – atraia o aluno-leitor para a nova era da ciberliteratura. Esta promoveu uma revolução na história da leitura – do códex ao hipertexto – e ascendeu a função do leitor, o qual se tornou mais ativo, um hiperleitor, apagando assim a função de autor, outrora merecedor de status. Seja através da hiperficção, da hiperpoesia ou do metalivro, a ciberliteratura resgata e dá continuidade ao experimentalismo universal na escrita, no som e na imagem, inaugurado pelas vanguardas europeias e pela poesia concreta – embrião da poesia virtual. Promover a interação do aluno com a poesia animada pelo computador – eis um novo desafio para a educação.

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Biografia do Autor

Cynthia Agra de Brito Neves, Universidade Estadual de Campinas
Doutoranda em Linguística Aplicada IEL/UNICAMP.

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Publicado
2010-11-18
Como Citar
Neves, C. A. de B. (2010). Da poesia visual concreta à poesia virtual concreta: a ciberliteratura na sala de aula. ETD - Educação Temática Digital, 12(1), 124-146. https://doi.org/10.20396/etd.v12i1.845