A escrita sociográfica como didática transcriadora e produtora de presença

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/etd.v17i2.8635647

Palavras-chave:

Sociografia. Didática. Transcriação. Escrileituras.

Resumo

O texto apresenta alguns aspectos da literatura de Georges Perec com o intuito de discernir sobre uma escrita sociográfica que atue como uma didática transcriadora do cotidiano e produtora de presença — presença produzida por um modo de operar a escritura com a finalidade de recriar atmosferas e estados de espírito constituídos por elementos pouco desenvolvidos do movimento de uma aula, isto é, da relação com suas materialidades em fluxo. Procura se orientar na escrita sociográfica de Perec para poder dar a ler o encontro dos corpos docentes e discentes com os da outras matérias de seus entornos e que afetam, também, seus intelectos. Trata-se de desenvolver procedimentos para uma didática transcriadora do cotidiano se apropriando da leitura e escrita literária como pensamento.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Máximo Daniel Lamela Adó, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Pós-Doutorando [2014-2105] na FACED-UFRGS com projeto de pesquisa vinculado ao DEC- Departamento de Ensino e Currículo e ao PPGEDU Programa de Pós-graduação em Educação com Bolsa PDJ do CNPQ e supervisão da Profa. Dra. Sandra Mara Corazza. Doutor em Educação pela UFRGS; Mestre em Literatura (Teoria literária) e Licenciado em Ciências Sociais pela UFSC. Foi Professor Substituto na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação - FABICO/UFRGS ministrando disciplinas relacionadas à Filosofia da linguagem e comunicação, Teorias da Representação, Educação e Comunicação, Cinema e Literatura (adaptação/cinematização) [2012-2013]; professor visitante nos cursos de Aperfeiçoamento, Extensão e Especialização do projeto Ler e escrever o mundo: a EJA no contexto da educação contemporânea da UCS - Universidade de Caxias do Sul, RS [2011-2013] e professor convidado na Especialização em Pedagogia da Arte da UFRGS [2012].

Sandra Mara Corazza, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Atualmente, é Professora Titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Educação, Departamento de Ensino e Currículo, Programa de Pós-Graduação em Educação, Linha de Pesquisa "Filosofias da Diferença e Educação" (2000 -). Líder dos seguintes Grupos de Pesquisa, no Diretório do CNPq/Lattes: 1) "DIF - Artistagens, Fabulações, Variações" (2002 -); 2) "Escrileituras da diferença em filosofia-educação" (2015 -). Pesquisadora de Produtividade do CNPq, nível 1C (2002 -). Coordenadora Geral do Projeto "Escrileituras: um modo de ler-escrever em meio à vida", integrante do Programa Observatório da Educação, CAPES-INEP (2011-2014). Experimentadora de Escrileituras em Filosofia-Educação, Literatura-Artes, Currículo da Diferença, Didática da Tradução.

Referências

ADORNO, Theodor Wiesengrund. Notas de literatura I. Tradução de Jorge Mattos Brito de Almeida. São Paulo: Ed. 34, 2003.

BORGES, Jorge Luis. El hacedor. Madrid: Alianza, 1995a.

BORGES, Jorge Luis. Pierre Menard, autor del Quijote. In: BORGES, Jorge Luis. Ficciones. Barcelona: Emecé, 1995b, p.43-54.

BORGES, Jorge Luis. Pierre Menard, autor do Quixote. In: BORGES, Jorge Luis. Ficções. Tradução de Davi Arrigucci Junior. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p. 34-45.

BORGES, Jorge Luis. Valéry como símbolo. In: BORGES, Jorge Luis. Outras inquisições. Tradução de Davi Arriguchi Junior. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 91-93.

CHARTIER, Roger. O mundo como representação. Estudos Avançados. São Paulo, v. 5, n. 11, p. 173-191, jan./abr. 1991. Disponível em: http://goo.gl/WRAAFL Acesso em: 06 jun. 2014. ISSN 1806 9592.

CORAZZA, Sandra Mara. O que se transcria em educação? Porto Alegre: UFRGS: Doisa, 2013.

CORAZZA, Sandra Mara. Os cantos de Fouror: escrileitura em filosofia-educação. Porto Alegre: Sulina: UFRGS, 2008.

DELEUZE, Gilles. Whitman. In: DELEUZE, Gilles. Crítica e clínica. Tradução de Peter Pál Pelbart. São Paulo: Ed. 34, 1997, p.67-72.

DELEUZE, Gilles. Spinoza y el problema de la expresión. Tradução de Horst Vogel. Barcelona: Atajos, 1996.

DEWEY, John. Vida e educação. Tradução de Anísio Teixeira. São Paulo: Melhoramentos, 1965.

FAVRE, Oscar Padrón. Sangre indígena en el Uruguay. Durazno: Libros del autor, 1994.

FLUSSER, Vilém. Da ficção. O Diário de Ribeirão Preto. Ribeirão Preto, 26 ago. 1966. Disponível em: http://paginas.terra.com.br/arte/dubitoergosum/arquivo02.htm Acesso em: 16 mai. 2006.

GENETTE, Gérard. Palimpsestes: la littérature au second degré. Paris: Ed. du Seuil, 1982.

GENETTE, Gérard. Palimpsestos: la literatura en segundo grado. Madrid: Taurus, 1989.

GIROUX, Henry; SIMON, Roger. Cultura popular e pedagogia crítica: a vida cotidiana como base para o conhecimento curricular. In. SILVA, Tomaz Tadeu (Org.); MOREIRA, Antonio Flávio (Org.) Currículo, cultura e sociedade. São Paulo: Cortez, 1995, p. 93-124.

GORSKI, Sonnia Romero (Org.) Antropología social y cultural en Uruguay. Montevideo: UDELAR, 2000.

KUHN, Thomas. A estrutura das revoluções científicas. Tradução de Beatriz Vianna Boeira e Nelson Boeira. São Paulo: Perspectiva, 1998.

LATOUR, Bruno. Reagregando o social: uma introdução à teoria do ator-rede. Tradução de Gilson César Cardoso de Sousa. Salvador: Bauru; EDUFBA:EDUSC, 2012.

LEPETIT, Bernard. Por uma nova história urbana. Tradução de Cely Arena. São Paulo: Ed. EDUSP, 2001.

MATOS, Sônia Regina da Luz. Procedimentos de escritura e afectologia na alfabetização de crianças: abordagens cruzadas entre a filosofia da diferença e a psicologia intercultural. 2014. 205 f. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, 2014.

MAUGER, Gérard. Les autobiographies littéraires: objets et outils de recherche sur les milieux populaires. Politix : Revue des Sciences Sociales Du Politique. Paris, v. 7, n. 27, p. 32-44, jul./ago. 1994. Disponível em : http://goo.gl/1Je9wH Acesso em : 24 jul. 2015. ISSN : 0295 – 2319.

NANCY, Jean-Luc. Ser singular plural. Tradução de Antonio Tudela Sancho. Madrid: Arena, 2006.

NIETZSCHE, Friedrich. Sobre verdade e mentira no sentido extra-moral. Tradução de Rubens Rodrigues Torres Filho. In: Obras incompletas. São Paulo: Abril Cultural, 1978, p. 43-52.

NORDHOLT, Annleies Schulte. Georges Perec: topographies parisiennes du flâneur. Revue Életronique de Littérature Française. Leiden, v. 2, n. 1, p. 66-86, 2008. Disponível em: http://goo.gl/fc0hcs Acesso em: 24 jul. 2015. ISSN : 1873 – 5045.

PASSERON, Jean-Claude. L’illusión du monde réel : -graphie, -logie, -nomie. In. GRIGNON, Claude ; PASSERON, Jean-Claude. Le savant et le populaire : misérabilisme et populisme en sociologie et en littérature. Paris : Hautes Études : Gallimard : Seuil, 1989.

PEREC, Georges. Espèces d’espaces : Jounal d’um usager de l’espace. Paris: Galilèe, 1974.

PEREC, Georges. Tentative d’épuisement d’un lieu parisien. Paris: Christian Bourgois, 2008.

PEREC, Georges. Lo infraordinario. Tradução de Mercedes Cebrián. Madrid: Impedimenta, 2010.

REZENDE, Luiz. É escrevendo que se vira escrevedor. In. QUENEAU, Raymond. Exercícios de estilo. Tradução de Luiz Rezende. Rio de Janeiro: Imago, 1995, p. 11-15.

SAHLINS, Marshall. Waiting for Foucault, Still. Chicago: Prickly Paradigm Press, 2002.

SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 2011.

TARDE, Gabriel. Monadologia e sociologia e outros ensaios. Tradução de Paulo Neves. São Paulo: Cosac Naify, 2007.

VALÉRY, Paul. Introdução ao método de Leonardo da Vinci. Tradução de Geraldo Gérson de Souza. São Paulo: Ed. 34, 1998.

VALÉRY, Paul. Monsieur Teste. Tradução de Cristina Murachco. São Paulo: Ática, 1997.

VALÉRY, Paul. Poesia e pensamento abstrato. Tradução de João Alexandre Barbosa. In. VALÉRY, Paul. Variedades. São Paulo: Iluminuras, 1991, p. 201-218.

VALÉRY, Paul. Variations sur les bucoliques. Paris: Gallimard, 1956.

VILA-MATAS, Enrique. El mal de Montano. Barcelona: Anagrama, 2002.

WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações filosóficas. Tradução de José Carlos Bruni. Rio de Janeiro: Nova Cultural, 1991.

Downloads

Publicado

2015-08-31

Como Citar

Adó, M. D. L., & Corazza, S. M. (2015). A escrita sociográfica como didática transcriadora e produtora de presença. ETD - Educação Temática Digital, 17(2), 271–288. https://doi.org/10.20396/etd.v17i2.8635647