Cala boca menino! O menino não cala, resiste

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/etd.v19i0.8647837

Palavras-chave:

Resistência. Processos educativos. Educação pública.

Resumo

O presente ensaio teórico apresenta o debate sobre a resistência política educacional travada a partir do movimento que impôs a ocupação em diversas Universidades públicas e Escolas do Ensino Médio por todo país.  O Ocupa entra no debate político educacional nacional como luta contrária as decisões anti populistas do atual governo pós-impeachment/2016, problematizando a experiência de jovens estudantes que lutam pela democracia no país e por uma educação pública que respeite a diversidade e seja construída com os grupos populares. No campo teórico discutimos a resistência tendo como base a educação conscientizadora de Freire (1992), a epistemologia do sul de Santos (2005 ) e a exteriorização de Dussel (1997). Orientado por uma interpretação de sociedade na sua fase pós-colonial, o texto situa o movimento Ocupa como estratégia de resistência que sofre situações de opressão através da violência física e ideológica, mas que não foi suficientemente forte para extinguir a esperança dos estudantes que continuam a demonstrarem para toda sociedade as propostas explicitadas de resistência: é na negociação e no conflito que o movimento Ocupa foi tomando forma e conteúdo político educacional. 

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Biografia do Autor

Jeanes Martins Larchert, Universidade Estadual de Santa Cruz

Departamento de Ciências da educação, área de Didática.

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Publicado

2017-03-11

Como Citar

LARCHERT, J. M. Cala boca menino! O menino não cala, resiste. ETD - Educação Temática Digital, Campinas, SP, v. 19, p. 9–22, 2017. DOI: 10.20396/etd.v19i0.8647837. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/8647837. Acesso em: 25 jan. 2021.