Entre o professor público e o pensador privado: a figura do mestre em Deleuze

  • Christian Fernando Ribeiro Guimarães Vinci Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Gilles Deleuze. Filosofia da educação. Pensamento filosófico

Resumo

Gilles Deleuze, embora pouco ou nada tenha escrito sobre educação, concedeu uma especial atenção ao conceito de aprendizado. Concebido como um processo involuntário disparatado por um encontro violento com signos heterogêneos que nos levam a pensar, a noção deleuziana de aprendizado parece não conceder espaço para qualquer figura imbuída de autoridade professoral. A aprendizagem, em Deleuze, apresentar-se-ia como um processo imanente que, em tese, prescindiria de mestres ou professores. Não obstante isso, em diversos momentos de sua obra, o filósofo francês chegou a defender a importância de possuirmos mestres ou professores. Buscando elucidar essa aparente contradição, esse artigo procurará pensar como a figura do mestre convive no interior da noção de aprendizado forjada por Deleuze. Para tanto, resgataremos a distinção deleuziana entre o professor público e o pensador privado, tomando-as como disparadoras para pensarmos a figura do mestre. Acreditamos que tal distinção, contrapondo-se às noções formuladas por Immanuel Kant de uso privado e uso público da razão, possibilitaria pensarmos o mestre como aquele responsável por romper com o universo judicativo kantiano e capaz de ofertar um vislumbre de um pensamento sem qualquer lastro judicativo ou representativo – intento último da filosofia de Deleuze e Deleuze-Guattari.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Christian Fernando Ribeiro Guimarães Vinci, Universidade de São Paulo
Doutorando em Filosofia da Educação pela Universidade de São Paulo (USP) - São Paulo, SP - Brasil. Assistente de Pesquisa - Escritório de Apoio à Pesquisa - Universidade Federal de São Paulo, (EAP-UNIFESP)  São Paulo, SP -  Brasil.

Referências

CASTELLO, Luis A.; MÁRSICO, Claudia T. Oculto nas palavras – dicionário etimológico para ensinar e aprender. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.

DELEUZE, Gilles. Diferença e Repetição. Tradução de Roberto Machado e Luiz B. Orlandi. São Paulo: Graal, 1988.

DELEUZE, Gilles. "Ele foi meu mestre". In: DELEUZE, Gilles. A Ilha Deserta e outros textos. Tradução de Francisca Maria Cabrera. São Paulo: Iluminuras, 2006d. p. 107-110.

DELEUZE, Gilles. Nietzsche e a filosofia. Tradução: Edmundo Fernandes Dias e Ruth Jofflily Dias. Rio de Janeiro: Editora Rio, 1976.

DELEUZE, Gilles. “Para dar um fim no juízo”. In: DELEUZE, Gilles. Crítica e Clínica. Tradução Peter Pál Pelbart. São Paulo: Editora 34, 2007. p. 143-153.

DELEUZE, Gilles. Proust e os signos. Tradução de Antônio Carlos Piquet e Roberto Machado. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia, vol. 5. Tradução de Peter Pál Pelbart e Janice Caiafa. São Paulo: Editora 34, 2008.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O que é a Filosofia? Tradução de Bento Prado Jr. e Alberto Alonso Muñoz. São Paulo: Editora 34, 1992.

DELEUZE, Gilles; PARNET, Claire. Diálogos. Tradução de José Gabriel Cunha. Lisboa: Relógio D’Água, 2004.

FOUCAULT, Michel. "O que são as Luzes?". In: FOUCAULT, Michel. Ditos & Escritos II: arqueologia das ciências e história dos sistemas de pensamento. organização de manual Barros da Motta. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008. p. 335-351.

GALLO, Silvio. "As múltiplas dimensões do aprender..." In: Anais do Congresso de Educação Básica: aprendizagem e currículo, Florianópolis, n.1, 2012. p. 1-10.

KANT, Immanuel. "O que é o Esclarecimento?". In: KANT, Immanuel et al. O que é o Esclarecimento? Tradução de Paulo César Gil Ferreira. Rio de Janeiro: Via Verita, 2011. p. 23-36.

LINS, Daniel. Juízo e Verdade em Gilles Deleuze. Tradução de Fabien Lins. São Paulo: Annablume, 2004.

MARINHO, Cristiane Maria. Filosofia e Educação no Brasil: da identidade à diferença. São Paulo: Edições Loyola, 2014.

MENGUE, Philippe. Faire L'idiot: la politique de Deleuze. Paris: Germina, 2013.

SCHÉRER, René. "Aprender com Deleuze". In: Educação & Sociedade, Campinas, v. 26, n. 93, p. 1183-1194, Set-Dez. 2005.

VINCI, Christian Fernando Ribeiro Guimarães. Deleuze-Guattarinianas: experimentações educacionais com o pensamento de Gilles Deleuze e Félix Guattari (1990-2013). Dissertação de mestrado. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2014.

VINCI, Christian Fernando Ribeiro Guimarães. "Humorística e sensibilidade filosófica em Gilles Deleuze". In: Prometeus - filosofia em revista, Sergipe, v. 10, n. 23. 2017. p. 167-187.

Publicado
2018-10-14
Como Citar
Vinci, C. F. R. G. (2018). Entre o professor público e o pensador privado: a figura do mestre em Deleuze. ETD - Educação Temática Digital, 20(4), 1018-1035. https://doi.org/10.20396/etd.v20i4.8650025