Justiça e democracia na escola: a arte de justificar práticas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/etd.v20i2.8650401

Palavras-chave:

Desigualdade. Escola. Brasil. Portugal. Justiça.

Resumo

Introdução: O artigo propõe-se a caracterizar a estruturação da experiência escolar no sentido de tornar visíveis as injustiças que a compõem, bem como ampliar a compreensão sobre as concepções de justiça escolar por parte de sujeitos brasileiros e portugueses em termos de sua organização e justificação na contemporaneidade. A análise é distinta e complementar ao viés jurídico que vem tendo centralidade nos debates educacionais quando o assunto é Justiça. Método: Apresenta resultados de pesquisa que teve por objetivo analisar concepções de estudantes de escolas brasileiras e portuguesas a respeito de justiça, escola justa, práticas justas/ injustas no interior da organização escolar. O estudo de casos recorreu a entrevistas realizadas em 4 escolas de ensino médio, cujos dados foram analisados com base na abordagem da Análise de Conteúdo. Resultados e Conclusão: Tais dados nos estimulam a considerar que o sentimento de injustiça é mais presente nas escolas brasileiras, em que professores e alunos apontam vivencias de indisciplinas e violências no cotidiano escolar, justificando práticas injustas, alertando para as distintas formas que assume a desigualdade social em ambos os países.

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Biografia do Autor

Alice Happ Botler, Universidade Federal de Pernambuco

Doutora em Sociologia - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) - Recife, PE – Brasil. Professor Associado - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) - Recife, PE - Brasil. 

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Publicado

2018-04-11

Como Citar

BOTLER, A. H. Justiça e democracia na escola: a arte de justificar práticas. ETD - Educação Temática Digital, Campinas, SP, v. 20, n. 2, p. 305–324, 2018. DOI: 10.20396/etd.v20i2.8650401. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/8650401. Acesso em: 6 dez. 2021.