Melhorar o mundo, a escola e a si próprio: os caminhos entrecruzados da experiência juvenil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/etd.v20i2.8650671

Palavras-chave:

Educação. Política. Processos de Engajamento

Resumo

O problema da apatia política, sobretudo dos mais jovens, constitui-se atualmente como uma séria ameaça à qualidade da democracia. À escola, como instância socializadora, é justamente pedido que trabalhe as competências críticas dos mais jovens, bem como as suas capacidades de subir em generalização, ajudando-os a ler o mundo. Contudo, o problema da apatia dos jovens estende-se às próprias atividades em comum realizadas em contexto escolar. O problema coloca-se tanto a uma escala macro como micro. Com vista a explorar as razões desta apatia, pretende-se dar conta neste artigo das tarefas que a educação pode ser chamada a desempenhar para a melhoria da democracia. Neste sentido, por meio do recurso a material empírico coletado em pesquisa em três escolas secundárias de Lisboa, mormente a partir de entrevistas semi-estruturadas e observação de atividades promovidas pelos próprios estudantes, os resultados sugerem uma pluralidade de engajamentos e de relações com a política, correspondentes a uma diversidade de tarefas que a escola pode vir a desempenhar na formação política dos jovens. Assim, paralelamente à socialização política clássica, descortina-se o engajamento por individuação, caracterizado essencialmente pela participação na vida da escola e pela vontade de experimentação, e o engajamento por subjetivação, o qual se apresenta como uma problematização da política centrada no aperfeiçoamento de si próprio. Estes engajamentos, componíveis entre si, representam tanto diferentes formas de ser como quadros morais de avaliação e de ação. Eles dão conta de um domínio alargado da política enquanto experiência de relação com o mundo.  

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Pedro Caetano, Universidade Nova de Lisboa

Investigador Integrado do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS.NOVA), Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa

Referências

AGUIAR, Joaquim. O discurso do eleitorado. Análise Social, Lisboa, v. 42, n. 182, p. 287-309, 2007.

ARENDT, Hanna. Verdade e política. Lisboa: Lisboa Editora, 2005.

BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2004.

BOLTANSKI, Luc e THÉVENOT, Laurent. La justification. Les économies de la grandeur. Paris: Gallimard, 1991.

BRAUD, Philippe. La science politique. 9. ed. Paris: Puf, 2011.

CAETANO, Pedro. “A socialização política no plural”. Educação e Sociedade, Campinas, Dossiê temático 1: Socialização política, v. 37, n. 137, Campinas, out. /dez., p. 1045-1060, 2016.

CANDIOTTO, Cesar. Subjetividade e verdade no último Foucault. Trans/Form/Ação, v. 31, n. 1, p. 87-103, 2008.

CASTRO, Lúcia R. (Coord.). Falatório. Participação e democracia na escola. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2010.

CASTRO, Lúcia e Grisolia, Felipe. Subjetivação pública ou socialização política? Sobre as articulações entre o ‘político’ e a infância. Educação e Sociedade, Dossiê temático 1: Socialização política, v. 37, n. 137, Campinas, out./dez., p. 971-988, 2016.

CORCUFF, Philippe. Le savant et le politique. SociologieS [En ligne], La recherche en actes, Régimes d’explication en sociologie, 2011. Disponível em http://sociologies.revues.org/353 Acesso em: 13 set. 2017.

DEWEY, John. Reconstruction in philosophy. Nova Iorque: Henry Holt and Company, 1920.

DEWEY, John. Democracia e educação. Lisboa: Didáctica, 2007.

DEWEY, John. Après le libéralisme? Ses impasses, son avenir. Paris: Climats, 2014.

DURKHEIM, Émile. A ciência social e a ação. Lisboa: Bertrand, 1975.

DURKHEIM, Émile. L’éducation morale. Paris: Puf, 2012.

EUROPEAN COMISSION (EC). European Youth: Participation in Democratic Life [Report]. Flash Eurobarometer 375, mai. 2013. Disponível em http://ec.europa.eu/public_opinion/flash/fl_375_en.pdf Acesso em: 13 set. 2017.

FOUCAULT, Michel. Politics, philosophy, culture. Nova Iorque: Routledge, 1988.

FOUCAULT, Michel. Qu’est-ce que les Lumières? Dits et écrits, n° 339, t. IV. Paris: Gallimard, 1994. p. 562-578.

FOUCAULT, Michel. Le Gouvernement de Soi et des autres. Cours au Collège de France (1982-1983). Paris: Seuil, 2008.

FOUCAULT, Michel. L’origine de l’herméneutique de soi. Conférences prononcées à Dartmouth Collège, 1980. Paris: Vrin, 2013.

FUJITA, Kojiro. Pour une philosophie de la subjectivation. Étude sur Michel Foucault. Université Paris-Est. Thèse de Doctorat [em linha], 2015. Disponível em https://tel.archives-ouvertes.fr/tel-01304072 Acesso em: 13 set. 2017.

GARNIER, Pascale. La socialisation en procès: conflits, enjeux et dynamiques. VEI Enjeux, nº 120, p. 9-17, 2010. Disponível em: http://www2.cndp.fr/revueVEI/120/garnier120.pdf Acesso em: 13 dez. 2017.

GROS, Frédéric. Course context. In M. Foucault, The Government of Self and Others - Michel Foucault: Lectures at the Collège de France, 1982–1983. Basingstoke: Palgrave MacMillan, 2010. p.377-391.

HIRSCHMAN, Albert O. Exit, voice, and loyalty: responses to decline in firms, organizations, and states. Cambridge, Mass.: Harvard Univ., 1970.

JOSEPH, Jonathan. Foucault and reality. Capital and Class, n. 82, p. 143-165, 2004.

KANT, Immanuel. Réponse à la question «Qu'est-ce que les Lumières?». Disponível: https://philosophie.cegeptr.qc.ca/wp-content/documents/Quest-ce-que-les-Lumi%C3%A8res%EF%80%A5-1784.pdf Acesso em: 13 set. 2017.

LIMA, L. (Dir.). Por Favor, elejam a B. O Associativismo Estudantil na escola secundária. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1998.

LIMA, Maria da P. C. e ARTILES, Antonio M. Descontentamento na Europa em tempos de austeridade: da ação coletiva à participação individual no protesto social. Revista Crítica de Ciências Sociais, Coimbra, n. 103, p. 137-172, 2014.

LISI, M., MARCHI, R., e EVANS, A. M. Participação política e qualidade da democracia. In A. C. Pinto, L. de Sousa e P. C. Magalhães (Orgs.), A qualidade da democracia em Portugal: a Visão dos Cidadãos. Lisboa, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, 2013. p.51-77.

LOBO, M. C., FERREIRA, V. S., ROWLAND, J. Emprego, mobilidade e lazer: situações e atitudes dos jovens portugueses numa perspectiva comparada. Lisboa: Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, 2015.

LOPES, João T. Tristes escolas. Práticas culturais estudantis no espaço escolar urbano. Porto: Afrontamento, 1997.

MAGALHÃES, Pedro C. Disaffected democrats: political attitudes and political action in Portugal. West European Politics, v. 28, n. 5, p. 973-991, 2005.

MAGALHÃES, Pedro C., MORAL, Jesus. Os jovens e a política. Um estudo para a presidência da República. Lisboa: Universidade Católica Portuguesa/CESOP, 2008.

OECD. Teachers and teaching conditions. Teaching and Learning International Survey (TALIS), 2013. Disponível em: http://gpseducation.oecd.org/CountryProfile?primaryCountry=PRT&treshold=10&topic=TAA Acesso em 15 set.2017

PAIS, José Machado. Consciência histórica e identidade. Oeiras: Celta, 1999.

RAMOS DO Ó, Jorge. Questionando o social. Governamentalidade, tecnologias do eu e a história da escola. Análise Social, v. 212, xlix, p. 737-742, 2014.

RESENDE, José Manuel. A sociedade contra a escola? A socialização política escolar num contexto de incerteza. Lisboa: Instituto Piaget, 2010.

RICŒUR, Paul. Parcours de la reconnaissance. Paris: Éditions Stock, 2004.

SARDINHA, Diogo. Kant, Foucault e a antropologia pragmática. Kant e-Prints. Campinas, Série 2, v. 6, n. 2, p. 43-58, 2011.

SARTORI, Giovanni. From the Sociology of Politics to Political Sociology. Government and Opposition, n. 4, p. 195-214, 1969.

SEABRA, Teresa. Desigualdades escolares e desigualdades sociais. Sociologia, Problemas e Práticas, n. 59, p. 75-106, 2009.

SIMMEL, Geörg. Sociologie. Études sur les formes de la socialisation. Paris: Puf, 1999.

TAYLOR, Charles. Imaginários sociais modernos. Lisboa: Texto & Grafia, 2010.

THÉVENOT, Laurent. L’action au pluriel. Sociologie des régimes d’engagement. Paris: La Découverte, 2006.

VARELA, Alexandre M. R. Jovens e política: o papel da socialização na participação política. Tese de Mestrado, Lisboa: ISCTE, 2009.

Disponível em http://hdl.handle.net/10071/1804 Acesso em: 13 set. 2017.

VIEIRA, M. M., FERREIRA, V. S., ROWLAND, J. Retrato da juventude em Portugal: traços e tendências nos censos de 2001 e 2011. Revista de Estudos Demográficos, n. 54, p. 5-25, 2015.

VORUZ, Veronique. Politics in Foucault's later work: a philosophy of truth; or reformism in question. Theoretical Criminology, v. 15, n. 1, p. 1-19, 2010.

WEBER, Max. A política como vocação. In H. H. Gerth e C. W. Mills, (Org.), Max Weber - Ensaios de Sociologia. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1967. p. 55-89.

Downloads

Publicado

2018-04-11

Como Citar

CAETANO, P. Melhorar o mundo, a escola e a si próprio: os caminhos entrecruzados da experiência juvenil. ETD - Educação Temática Digital, Campinas, SP, v. 20, n. 2, p. 413–433, 2018. DOI: 10.20396/etd.v20i2.8650671. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/8650671. Acesso em: 3 dez. 2021.