Correspondências sobre o outro na educação especial

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/etd.v21i2.8653393

Palavras-chave:

Educação especial, Formação de professores, Licenciaturas, Modernidade, Psicanálise.

Resumo

O outro como tema na educação especial provoca um impasse no campo das licenciaturas. Algo no encontro com a deficiência causa estranhamento e essa não parece subsumida nem mesmo às diretrizes inclusivas. Buscamos compreender a perplexidade - ou mesmo a impossibilidade - envolvida no processo de tornar-se professor desse outro, quando a racionalidade moderna afirma um mundo dividido em dualismos e dicotomias. A fim de abrir espaço para a estranheza que precede e persiste na lição de nossos alunos, e divergindo de tal racionalidade, adotamos como referencial metodológico e teórico o ensaio O inquietante (1919), de Freud. A conversão freudiana ao literário justifica a escrita de uma carta como experiência formativa. Uma carta envolve a presença do outro, faz-se pela suposição de um interlocutor. Em resposta ao chamado por implicação, a correspondência se apresenta como possibilidade de uma racionalidade diversa na formação docente. 

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Biografia do Autor

Carla Karnoppi Vasques, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Doutora em Educação. Professora - Faculdade de Educação; Programa de Pós-Graduação em Educação -  Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Wladimir Brasil Ullrich, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Mestre em Educação -  Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Doutorando em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRGS.

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Publicado

2019-04-30

Como Citar

VASQUES, C. K.; ULLRICH, W. B. Correspondências sobre o outro na educação especial. ETD - Educação Temática Digital, Campinas, SP, v. 21, n. 2, p. 316–333, 2019. DOI: 10.20396/etd.v21i2.8653393. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/8653393. Acesso em: 3 dez. 2021.

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