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Biopolítica e normalização dos corpos em XXY
Foto de capa: Antonio Carlos Dias Júnior
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Palavras-chave

Corpo
Biopolítica
Normalidade
Potência
Filme XXY

Como Citar

ZOBOLI, Fabio; GALAK, Eduardo; GOMES, Ivan Marcelo. Biopolítica e normalização dos corpos em XXY. ETD - Educação Temática Digital, Campinas, SP, v. 26, n. 00, p. e024017, 2024. DOI: 10.20396/etd.v26i00.8670573. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/8670573. Acesso em: 14 jun. 2024.

Resumo

A trama do filme XXY (2007) da diretora argentina Lucía Puenzo gira em torno de uma reflexão que questiona como a ciência moderna arquiteta a tríade “corpo-sexo-gênero” na sua ânsia de categorizar e ordenar os corpos via dispositivo dos saberes da biologia que os classifica de modo binário. O texto objetiva pensar o corpo intersexo de Alex em XXY em termos políticos a partir de duas questões: “O que se pode fazer com um corpo?” e “O que pode o corpo?”. Deste modo o corpo de Alex será interpelado pelos dispositivos biopolíticos da normalidade e pela potência deste corpo que sofre por assumir sua condição de existência. Conclui-se que a trama fílmica de XXY expõe o híbrido das condições sociais de existência e experiência, a impureza dos nossos corpos, imperfeitos, intercambiáveis e com intervenções.

https://doi.org/10.20396/etd.v26i00.8670573
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