As crianças negras da Casa de São José no Rio de Janeiro (1888-1916)

relações raciais no debate sobre a educação

Palavras-chave: História das instituições educacionais, Relações raciais, Casa de São José, Decolonialidade.

Resumo

Neste artigo apresentamos resultados de uma pesquisa de mestrado em Educação que investigou a relação entre a população negra e a escola, através das experiências de alunos da Casa de São José. A partir da análise documental dos registros escolares desta instituição, espaço de profissionalização no Rio de Janeiro, criado três meses após a Abolição, foi possível verificar o desenvolvimento do perfil racial dos alunos, que em sua origem contava com uma representação de alunos negros superior à de brancos. Com base em Mattos (2013) e Müller (2003) o clareamento percebido na evolução das matrículas, após a primeira década de funcionamento, foi compreendido por um lado como estratégia de distanciamento dos estigmas da escravidão, por outro como branqueamento, em razão da criação de estratégias não anunciadas que impediam o acesso de pessoas que se distanciavam dos padrões físicos e culturais desejados. Os pensamentos decoloniais influenciaram as interpretações acerca de tais práticas universalistas, tendo em vista que o padrão de poder eurocentrado, construído aos poucos pelos colonizadores e perpetuado mesmo após a descolonização, era exercido em nome da tentativa de homogeneização cultural, histórica, social, política, econômica, através de estruturas de controle que utilizaram a raça como base de classificação.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Thaysa Segal Caseli, Fundação de Apoio à Escola Técnica do Rio de Janeiro

Mestrado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Pedagoga da Fundação de Apoio à Escola Técnica do Rio de Janeiro (FAETEC).

Jefferson da Costa Soares, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Doutorado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Professor Assistente do Departamento de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Referências

ALVES, M. T. G.; SOARES, J. F. Contexto escolar e indicadores educacionais: condições desiguais para a efetivação de uma política de avaliação educacional. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 39, n. 1, p. 177-194, 2013.

BALLESTRIN, L. América Latina e o giro decolonial. Revista Brasileira de Ciência Política, n. 11, p. 89-117, maio/ago. 2013.

BARROS, S. A. P. de. Discutindo a escolarização da população negra em São Paulo entre o final do século XIX e início do XX. In: ROMÃO, J. (Org.). História da Educação do Negro e outras histórias. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2005.

BRASIL. Diretoria Geral de Estatística. Recenseamento de 1890.

BRASIL. Diretoria Geral de Estatística. Recenseamento de 1906.

BRASIL. Relatório Provincial do Presidente da República, Campos Salles. Mensagem apresentada ao Congresso Nacional em 1901.

BRASIL. Relatório Provincial do Presidente do Rio de Janeiro, Quintino Bocaiuva. Mensagem apresentada à Assembleia Legislativa em 1902.

BRASIL. Relatório Provincial do Presidente do Rio de Janeiro, Quintino Bocaiuva. Mensagem apresentada à Assembleia Legislativa em 1903.

CAMARGO, A. de. P. R. Mensuração racial e campo estatístico nos censos brasileiros (1872-1940): uma abordagem convergente. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Cienc. Hum., Belém, v. 4, n. 3, p. 361-385, set./dez. 2009.

CASELI, T. S. As crianças negras da Casa de São José no Rio de Janeiro (1888-1916): relações raciais no debate sobre a educação. Dissertação (Mestrado em Educação) – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2018.

CAVALLEIRO, E. Apresentação. In: ROMÃO, J. (org.). História da Educação do Negro e outras histórias. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2005.

FONSECA, M. V. Pretos, pardos, crioulos e cabras nas escolas mineiras do século XIX. 2007. 256 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.

FONSECA, M. V. Pretos, pardos, crioulos e cabras nas escolas mineiras do século XIX. In: ROMÃO, J. (org.). História da educação do negro e outras histórias. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2005.

GOMES, N. L. Movimento negro e educação: ressignificando e politizando a raça. Revista Educação e Sociedade, v. 33, n.120, p. 727-744, jul./set. 2012.

GOMES, N. L.; MUNANGA, K. O negro no Brasil de hoje. São Paulo: Global: Ação Educativa, 2010.

GREIVE, C. V. “Promiscuidade de cores e classes”: tensões decorrentes da presença de crianças negras na história da escola pública brasileira. In: FONSECA, M. V.; BARROS, S. A. P. de. A história da educação dos negros no Brasil. Rio de Janeiro: EDUFF, 2016.

LANDER, E. A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais – perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: Clacso, 2005. p. 227-278.

MATTOS, H. Das cores do silêncio: os significados da liberdade no sudeste escravista – Brasil, séc. XIX. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013.

MIGNOLO, W. D. A colonialidade de cabo a rabo: o hemisfério ocidental no horizonte conceitual da modernidade. In: LANDER, E. (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais – perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: Clacso, 2005. p. 227-278.

MÜLLER, M. L. R. Professoras negras no Rio de Janeiro: história de um branqueamento. In: OLIVEIRA, I. Relações raciais e educação: novos desafios. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.

MUNANGA, K.; GOMES, N. L. O negro no Brasil de hoje. São Paulo: Global: Ação Educativa, 2010.

PIZA, E.; ROSEMBERG, F. Cor nos censos brasileiros. REVISTA USP, São Paulo, n. 40, p. 122-137, dez./fev. 1998-1999.

QUIJANO, A. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, E. (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais – perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: Clacso, 2005. p. 227-278.

RIGHI, V. J. O poeta emparedado: tragédia social em Cruz e Sousa. 2006. Dissertação (Mestrado em Literatura Brasileira) – Universidade de Brasília, Brasília, 2006.

SILVA, E. C. G. Cotidiano, política e protesto popular no Rio de Janeiro: 1880–1901. Dissertação (Mestrado em História Comparada) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008.

SILVA, G.; ARAÚJO, M. Da interdição escolar às ações educacionais de sucesso: escolas dos movimentos negros e escolas profissionais, técnicas e tecnológicas. In: ROMÃO, J. (org.). História da educação do negro e outras histórias. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. – Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2005.

Publicado
2019-07-31
Como Citar
Caseli, T. S., & Soares, J. da C. (2019). As crianças negras da Casa de São José no Rio de Janeiro (1888-1916). Revista HISTEDBR On-Line, 19, e019034. https://doi.org/10.20396/rho.v19i0.8653278