A crise do capital e a luta de classes na educação

uma análise preliminar do ataque conservador ao Colégio Pedro II pelo Escola Sem Partido

Palavras-chave: Crise do capital, Colégio Pedro II, Escola Sem Partido.

Resumo

Este estudo se tem como objetivo analisar de que forma os ataques do conservadorismo burguês à educação, especificamente ao Colégio Pedro II, se relacionam com o próprio processo da luta de classes com a agudização da crise estrutural do capitalismo. Tendo em vista que a educação se apresentou como um dos segmentos da classe trabalhadora mais dispostos ao enfrentamento com o projeto sociometabólico do capitalismo, a ofensiva conservadora por meio do projeto Escola Sem Partido almeja justamente o cerceamento das possibilidades do caráter crítico da educação. Para tanto, analisaremos o caso do Colégio Pedro II, referência na educação pública, gratuita e de qualidade, e que se sobressai como vanguarda na política de direitos humanos aos estudantes, se tornou o alvo predileto daqueles que coadunam com projeto conservador-burguês, como nos mostra a ação promovida pelo Ministério Público Federal (2017), acusando o colégio de realizar uma “doutrinação esquerdista-comunista”. Isto posto, podemos ver cada vez mais claramente os contornos da luta de classes no país e o caráter predatório do capital, em que termos como “direitos humanos, tolerância e etc.,” tornaram-se pautas doutrinadoras da esquerda.

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Biografia do Autor

Matheus Rufino Castro, Colégio Pedro II

Mestrado em Educação pela Universidade Federal Fluminense. Doutorando em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Professor de Educação Física do Colégio Pedro II.

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Publicado
2019-07-31
Como Citar
Castro, M. R. (2019). A crise do capital e a luta de classes na educação. Revista HISTEDBR On-Line, 19, e019042. https://doi.org/10.20396/rho.v19i0.8654511