Presenças e ausências de gênero e sexualidade na formação inicial em pedagogia das IES comunitárias de Santa Catarina

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rho.v21i00.8660223

Palavras-chave:

Gênero e sexualidade, Formação inicial, Pedagogia, IES comunitárias

Resumo

O texto apresenta dados de uma pesquisa que busca compreender, criticamente, dentro dos marcos históricos de uma práxis feminista e acadêmica, contradições que permeiam a presença e a ausência dos estudos de gênero e sexualidade na formação inicial em Pedagogia das Instituições de Ensino Superior Comunitárias de Santa Catarina ligadas à Associação Catarinense das Fundações Educacionais (ACAFE). Nessa pesquisa, de cunho documental, norteada pela concepção teórico-metodológica do materialismo histórico-dialético, analisaram-se os dados de ementas dos currículos disponíveis em sítios oficiais das IES, nos anos de 2014 e 2018. As análises apresentadas sobre a presença e ausência de conteúdos de gênero e sexualidade nos cursos de formação inicial de Pedagogia nas IES revelam mais ausências do que presenças, o que é um alerta, ainda mais em um momento de perda de direitos sociais e crescimento da onda conservadora e fundamentalista que tem, nas questões de gênero e sexualidade, seu alvo principal.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Tânia Mara Cruz, Universidade do Sul de Santa Catarina

Doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo (USP). Professora do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).

Márcia Buss-Simão, Universidade Federal de Santa Catarina

Doutorado em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Referências

ACAFE. Estatuto registrado sob o nº 008932, às fls. 241, Livro A-42, no dia 06/01/2004, no Registro de Títulos e Documentos e Pessoas Jurídicas Florianópolis, SC, 2004.

ANDRÉ, M. E. D. A. Formação de professores: a constituição de um campo de estudos. Educação, Porto Alegre, v. 33, p.174-181, 2010. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faced/article/view/8075. Acesso em: 17 mar. 2017.

BAQUERO, M. Reinventando a sociedade na América Latina: gênero, cultura, política, exclusão e capital social. Porto Alegre: Ed. da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2001.

BARLETTO, M.; LOPES, M. D. F.; BEVILACQUA, P. D. A disciplina educação e gênero no curso de pedagogia. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL FAZENDO GÊNERO DIÁSPORAS, DIVERSIDADES, DESLOCAMENTOS, 9., 2010, Florianópolis. Anais [...]. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina: Universidade do Estado de Santa Catarina, 2010. p. 1-8. Disponível em: http://www.fg2010.wwc2017.eventos.dype.com.br/resources/anais/1278296068_ARQUIVO_barletto_completo.pdf. Acesso em: 10 set. 2015.

BRASIL. 3º Encontro Nacional de Núcleos e Grupos de Pesquisa Pensando Gênero e Ciência 2013a (a ser realizado nos dias 12 a 13 de novembro, organizado por SPM/PR, CNPq, MCTI, SECADI/MEC, MDA, IPEA). Disponível em: http://www.spm.gov.br/pensando_genero_e_ciencias/. Acesso em: 29 out. 2013.

BRASIL. Congresso Nacional. Decreto de Lei n. 13.005, de 25 junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação - PNE e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Brasília, DF, n. 120- A, p. 01, 26 jun. 2014.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana, 2004. 2004. Disponível em: http://www.uel.br/projetos/leafro/pages/arquivos/DCN-s%20-%20Educacao%20das%20Relacoes%20Etnico-Raciais.pdf. Acesso em: 12 ago. 2014.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Plano nacional de implementação das diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana. Brasília: SEPPIR: MEC/SECAD, 2009a. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=10098-diretrizes-curriculares&Itemid=30192. Acesso em: 12 ago. 2014.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP n. 1 de 15 de maio de 2006. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia. 2006a. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/rcp01_06.pdf. Acesso em: 10 jul. 2015.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: ensino fundamental. Brasília, DF: MEC/SEF, 1997.

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Resolução nº 4, de 13 de julho de 2010 (*) Define Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica. 2010. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb004_10.pdf. Acesso em: 10 jul. 2015.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral. Brasília: MEC: SEB: DICEI, 2013b Disponível em: http://portal.mec.gov.br/docman/julho-2013-pdf/13677-diretrizes-educacao-basica-2013-pdf/file. Acesso em: 24 fev. 2015.

BRASIL. Plano Nacional de Políticas para as Mulheres. Brasília, 2006b. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pnpm_compacta.pdf. Acesso em: 28 nov. 2014.

BRASIL. Presidência da República. Secretaria de Políticas para as mulheres. Plano Nacional de Políticas para as Mulheres. Brasília: Secretaria de Políticas para as Mulheres, 2013c. Disponível em: https://oig.cepal.org/sites/default/files/brasil_2013_pnpm.pdf. Acesso em: 28 nov. 2014.

BRASIL. Presidência da República. Secretaria Especial de Políticas para Mulheres. Pensando Gênero e Ciência. Encontro Nacional de Núcleos e Grupos de Pesquisa – 2005/2006 Brasília. II Encontro Nacional de Núcleos e Grupos de Pesquisa, 2009b. Disponível em: http://www.observatoriodegenero.gov.br/. Acesso em: 29 out. 2013.

BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Pesquisa sobre discriminação e preconceito no ambiente escolar: principais resultados. São Paulo: INEP, 2009c. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/relatoriofinal.pdf. Acesso em: 29 out. 2013.

CARREIRA, D. (Coord.). Informe Brasil: Gênero e Educação: Ação Educativa. São Paulo: Ação Educativa, 2011. Edição revista 2013. Disponível em: https://acaoeducativa.org.br/wp-content/uploads/2013/10/gen_educ.pdf. Acesso em: 15 maio 2018.

CARREIRA, D. Igualdade e diferenças nas políticas educacionais: a agenda das diversidades nos governos Lula e Dilma. 2015. 508 f. Tese (Doutorado) – Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015.

CARVALHAES, F.; RIBEIRO, C. A. C. Estratificação horizontal da educação superior no Brasil: desigualdades de classe, gênero e raça em um contexto de expansão educacional. Tempo social, São Paulo, v. 31, n. 1, p. 195-233, abril. 2019. Disponível em: https://doi.org/10.11606/0103-2070.ts.2019.135035. Acesso em: 05 maio 2019.

CARVALHO, M. P. de. Mau aluno, boa aluna? Como as professoras avaliam meninos e meninas. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 9, n. 2, p. 554-574, 2.sem. 2001.

CARVALHO, M. P. de. O conceito de gênero no dia a dia da sala de aula. Revista de Educação Pública, Mato Grosso, v. 21, n. 46, p. 401-412, set. 2012. Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/educacaopublica/article/view/416. Acesso em: 12 set. 2015.

CARVALHO, M. P. de. O fracasso escolar de meninos e meninas: articulações entre gênero e cor/raça. Cadernos pagu, Campinas, n. 22, p. 247-290, 2004.

CFEMEA. Prioridade para as políticas para as mulheres. Orçamento temático. Orçamento Mulher. 2011. Disponível em: http://www9.senado.gov.br/portal/page/portal/orcamento_senado/PS_ORCMULHER/Execucao. Acesso em: 12 dez. 2012.

CHAMON, M. L. Trajetória de feminização do magistério: ambibiguidades e conflitos. 1. ed. Belo Horizonte: Autêntica: FCH-FUMEC, 2005. 180 p. v. 1.

CLAM. Centro latino-americano em sexualidade e direitos humanos. Por que o gênero assusta tanto? 30 abr. 2014. Disponível em: http://www.clam.org.br/destaque/conteudo.asp?cod=11528. Acesso em: 20 mai 2014.

CONAE 2014: Conferência Nacional de Educação: documento – referência. Fórum Nacional de Educação. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria Executiva Adjunta, [2013]. 96 p. 2013.

ECOS. Comunicação em sexualidade. As políticas de educação em sexualidade no brasil. 2003 a 2008. Relatório levantamento dos currículos em pedagogia. São Paulo: ECOS: Comunicação em Sexualidade: Fundação Ford, 2008. (mimeo).

FERNANDES, F. B. M. A agenda anti-homofobia na educação brasileira (2003-2010). 2011. 422 f. Tese (Doutorado Interdisciplinar) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2011.

FONSECA, M. V.; SILVA, C. M. N.; FERNANDES, A. B. Relações étnico-raciais e educação no Brasil. Belo Horizonte: Mazza, 2011.

FRIGOTTO, G. O enfoque da dialética materialista histórica na pesquisa educacional. In: FAZENDA, I. (Org.). Metodologia da pesquisa educacional. 7.ed. São Paulo: Cortez, 2001.

GATTI, B. A.; BARRETTO, E. S. de S.; ANDRÉ, M. E. D. de A. Políticas docentes no Brasil: um estado da arte. Brasília: UNESCO, 2011. 297 p.

GATTI, B. A.; NUNES, M. M. R. (Org.). Formação de professores para o ensino fundamental: estudos das licenciaturas em pedagogia, língua portuguesa, matemática e ciências biológicas. São Paulo: FCC/DPE, 2009.

GAUDIO, E. S. Relações sociais na educação infantil: dimensões étnico-raciais, corporais e de gênero. 2013, 242 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2013.

GOMES, N. L. (Org.). Um olhar além das fronteiras: educação e relações raciais. Belo Horizonte, MG: Autêntica, 2007.

LAPLANE, A. L. F.; PRIETO, R. G. Inclusão, diversidade e igualdade na CONAE 2010: perspectivas para o novo Plano Nacional de Educação. Educ. Soc., Campinas, v. 31, n. 112, p. 919-938, set. 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-73302010000300014&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em:12 set. 2015.

MIGUEL, L. F. Da “doutrinação marxista” à “ideologia de gênero”: escola sem partido e as leis da mordaça no parlamento brasileiro. Direito & Práxis, v. 7, n. 15, p. 590-621, 2016. Disponível em: https://www.e publicacoes.uerj.br/index.php/revistaceaju/article/view/25163. Acesso em: 20 out. 2017.

OLIVEIRA, F.; ABRAMOWICZ, A. Infância, raça e “paparicação”. Educação em Revista, v. 26, n. 2, p. 209-226, 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-46982010000200010&lng=en&nrm=iso Acesso em: 12 set. 2015.

ORLANDI, R.; SWIDERSK, R. M. da S.; ELIAS, A. Da igualdade de gênero ao amordaçamento da docência? In: ABUD, C. R. Relações de gênero da Escola. Rio de janeiro: Dictio Brasil, 2017. p. 137-171.

PESSOA DE CARVALHO, M. E.; RABAY, G.; MORAIS, A. B. A. de. Pensar o currículo da educação superior da perspectiva da equidade e transversalidade de gênero e do empoderamento das mulheres: uma breve introdução. Revista Espaço do Currículo, v. 6, n. 2, p. 317-327, 2013. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/rec/article/view/17153. Acesso em: 20 out. 2017.

REPROLATINA. Estudo qualitativo sobre a homofobia no ambiente escolar em 11 capitais brasileiras. Relatorio Tecnico Final, 2011, 70 p. Disponível em: http://www.reprolatina.org.br/site/html/atividades/downloads/escola_sem_homofobia/Relatorio_Tecnico_Final.pdf. Acesso em: 15 out. 2013.

RIZZA, J. L.; RIBEIRO, P. R. C.; MOTA, M. R. A. A sexualidade nos cursos de licenciatura e a interface com políticas de formação de professores/as. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 44, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/ep/v44/1517-9702-ep-44-e176870.pdf. Acesso em: 05 maio 2019.

ROHDEN, F. Gênero, sexualidade e raça/etnia: desafios transversais na formação do professor. Cadernos de Pesquisa, v. 39, n. 136, p.157-174, jan./abr. 2009. Disponível em: http://publicacoes.fcc.org.br/index.php/cp/article/view/278. Acesso em: 23 jun. 2016.

SILVA, K. Currículo, gênero e identidade na formação de professors de professors/as. 2011. 195f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2011.

SOARES, A. G. A inserção de disciplinas de gênero em cursos de Pedagogia de Faculdades de Educação: caminhos e desafios em três universidades federais em Minas Gerais. 2018. 169 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade do Estado de São Paulo, São Paulo, 2018.

SOUSA, L. P. de; GUEDES, D. R. A desigual divisão sexual do trabalho: um olhar sobre a última década. Estudos Avançados, São Paulo, v. 30, n. 87, p. 123-139, ago. 2016. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142016000200123&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 20 out. 2017.

STROMQUIST, N. P. Qualidade de ensino e gênero nas políticas educacionais contemporâneas na América Latina. Educação e Pesquisa, v. 33, n. 1, p. 13-25, 2007. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/ep/article/view/28033. Acesso em: 23 jun. 2016.

UNBEHAUM, S.; CAVASIN, S.; GAVA, T. Gênero e sexualidade nos currículos de pedagogia. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL FAZENDO GÊNERO: DIÁSPORAS, DIVERSIDADES, DESLOCAMENTOS, 9., 2010, Florianópolis. Anais [...]. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina: Universidade do Estado de Santa Catarina, 2010. p. 1-10. Disponível em: http://www.fg2010.wwc2017.eventos.dype.com.br/resources/anais/1278171100_ARQUIVO_Gen_Sex_Curric_Ped_ST19_FG9.pdf. Acesso em: 10 set. 2015.

VIANNA, C. P.; UNBEHAUM, S. Gênero na educação básica: quem se importa? Uma análise de documentos de políticas no Brasil. Educação e Sociedade, v. 27, n. 95, p. 407-428, 2006. Disponivel em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73302006000200005&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 23 jun. 2006.

VIDAL, D. Gênero e sexualidade: mapeando as igualdades e diferenças entre os sexos e suas relações com a educação. Educação Grandes Temas, São Paulo, v. 2, p. 24-33, mar. 2008.

VIEIRA, L. M. F. Obrigatoriedade escolar na educação infantil. Revista Retratos da Escola, Brasília, v. 5, n. 9, p. 245-262, jul./dez. 2011.

Acesso em: 23 ago. 2014.

BRASIL. Congresso Nacional. Decreto de Lei n. 13.005, de 25 junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação - PNE e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Brasília, DF, n. 120- A, p. 01, 26 jun. 2014.

Downloads

Publicado

2021-08-02

Como Citar

CRUZ, T. M.; BUSS-SIMÃO, M. Presenças e ausências de gênero e sexualidade na formação inicial em pedagogia das IES comunitárias de Santa Catarina. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, SP, v. 21, n. 00, p. e021039, 2021. DOI: 10.20396/rho.v21i00.8660223. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8660223. Acesso em: 28 out. 2021.