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O que importa na leitura de bons livros
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Palavras-chave

História da educação
Inácio de Loyola
Padre Antônio Vieira
Companhia de Jesus
Educação jesuítica

Como Citar

HERNANDES, P. R.; CAMPANHOLO, J. R. dos S.; OLIVEIRA JÚNIOR, A. S. de. O que importa na leitura de bons livros: Inácio de Loyola e Padre Antônio Vieira . Revista HISTEDBR On-line, Campinas, SP, v. 22, n. 00, p. e022022, 2022. DOI: 10.20396/rho.v22i00.8660433. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8660433. Acesso em: 26 fev. 2024.

Resumo

Neste artigo, analisa-se a Autobiografia de Loyola e o Sermão a Santo Inácio, do Padre Antônio Vieira, investigando aspectos importantes narrados por Loyola e aproveitados por Vieira, relacionados às mudanças nos modos de leitura para homens leigos: a leitura solitária, íntima, interior, individual. Esses novos modos de leitura tiveram início, segundo parece a Foucault, no século XIV, com a Devotio Moderna, propagados pelos Irmãos de Vida Comum, transformações que seriam consideradas por Ariès e Chartier como de maior avanço da modernidade. O caminho de análise do discurso leva em conta que tanto Inácio de Loyola quanto o Padre Vieira expressam em seus escritos o que lhes era visível enquanto membros de uma ordem religiosa católica, dos séculos XVI e XVII, respectivamente. O estudo da narrativa e do Sermão a Santo Inácio revela que os jesuítas, embora inscritos na modernidade, seguiam firmes na defesa de uma mentalidade religiosa de disciplinar o que os fiéis deviam ou não ler. No século XVI, de Loyola, os perigos da leitura solitária envolviam a interpretação, compreensão e escrita de textos por pessoas leigas e protestantes, longe dos olhos vigilantes da Igreja Católica. No século XVII, de Vieira, o ataque à autoridade e tradição da Igreja devia-se à mentalidade racional/científica que se estabelecia na Europa nesse mesmo período.

https://doi.org/10.20396/rho.v22i00.8660433
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