Jaime Fernandes Simões e a construção de narrativas sobre a art brut em Portugal

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DOI:

https://doi.org/10.24978/mod.v4i3.4588

Palavras-chave:

Art brut. Arte e loucura. Psiquiatria. Jaime Fernandes. Portugal.

Resumo

Este artigo narra a história de Jaime Fernandes a partir de imaginários que se formam em torno da noção de art brut, conformando-lhe qualidades específicas enquanto sujeito louco e artista. Neste sentido, trabalha-se com os discursos produzidos pela crítica de arte portuguesa, em especial entre os anos de 1970 e 1980  do século XX, em encontro com as teorias psiquiátricas que fundamentam noções e qualificativos para as expressões dos sujeitos asilados. O caso de Jaime Fernandes é peculiar no sentido em que dá origem a estas discussões em Portugal, sendo ele considerado o primeiro grande artista descoberto nos termos da art brut no país. Propõe-se, sobretudo, conhecer o sujeito Jaime Fernandes a partir do cruzamento destes discursos e proposições conceituais, colaborando numa perspectiva mais ampla para o debate de noções como art brut e outsider art.

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Biografia do Autor

Stefanie Gil Franco, Instituto de História da Arte Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Universidade Nova de Lisboa

No ano de 2019 concluiu o doutoramento em História da Arte na Universidade Nova de Lisboa com o projeto de pesquisa: "Os imperativos da arte: encontros com a loucura em Portugal do século XX". Possui mestrado em Antropologia Social pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP/2011) e graduação em Ciências Sociais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP/2008). Possui como foco de interesse temas relacionados à institucionalização da loucura, as práticas nosográficas da psiquiatria, assim como a promoção da loucura como elemento discursivo no campo das artes.

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Publicado

2020-09-01

Como Citar

FRANCO, S. G. Jaime Fernandes Simões e a construção de narrativas sobre a art brut em Portugal. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 4, n. 3, p. 15–30, 2020. DOI: 10.24978/mod.v4i3.4588. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8662707. Acesso em: 1 dez. 2022.

Edição

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Artigos - Colaborações