As premiações das primeiras Bienais de São Paulo (1951-1965)

Um enfoque quantitativo e geográfico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24978/mod.v4i2.4583

Palavras-chave:

Bienais de São Paulo. Arte do pós-guerra. Reconhecimento artístico. História da arte global.

Resumo

O objetivo deste artigo é, por meio da análise quantitativa, dar um panorama da distribuição geográfica das premiações das delegações estrangeiras das primeiras Bienais de São Paulo (1951-1965). Pretende-se refletir sobre as relações entre espaço, nacionalidade e poder que operam nas premiações e seus impactos sobre o reconhecimento artístico. A intenção é delinear os mapas das artes traçados pelos prêmios de modo a analisar suas assimetrias geográficas, visualizar especificidades e indagar sobre possíveis tendências gerais. Conclui-se que os prêmios privilegiam a pintura em detrimento das outras modalidades artísticas, como a escultura, e, ao longo das oito edições, concentram-se geograficamente em países da Europa Ocidental (em particular Itália, França, Grã-Bretanha e Alemanha), Estados Unidos e Iugoslávia. No entanto, as premiações não reproduzem necessariamente as ideias canônicas a respeito da arte do período, levantando questões que merecem ser investigadas mais a fundo por pesquisas qualitativas. 

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Biografia do Autor

Marina Cerchiaro, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo

Doutora pelo Programa de Pós-Graduação Interunidades em Estética e História da Arte

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Publicado

2020-05-09

Como Citar

CERCHIARO, M. As premiações das primeiras Bienais de São Paulo (1951-1965): Um enfoque quantitativo e geográfico. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 4, n. 2, p. 55–72, 2020. DOI: 10.24978/mod.v4i2.4583. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8662836. Acesso em: 31 jan. 2023.

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