Modelos de Modernidade

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24978/mod.v3i2.4197

Palavras-chave:

Imagem do artista, Artista moderno, (Auto)promoção do artista.

Resumo

No século XIX o artista precisava se diferenciar para se destacar. Mas a imagem pessoal que construíam para si, por mais inovadora que fosse, era o resultado de um processo que tinha como referencial artistas já bem sucedidos. Nosso propósito com esse artigo é analisar alguns dos possíveis modelos de modernidade que os artistas brasileiros possuíram no século XIX, e o modo como, pautados nesses modelos, construíram as suas imagens públicas de artistas modernos. Para realizarmos essa análise, lançamos mão da fortuna crítica sobre o tema, de escritos redigidos no século XIX e de (auto)retratos dos artistas contemplados no artigo. Foi possível verificarmos que os artistas, instintivamente, ou conscientemente, entendiam a necessidade de projetar publicamente uma imagem pessoal convincente, para se diferenciarem e garantirem a atenção pública necessária para adquirir uma vantagem competitiva. A (auto)construção da imagem pública do artista era estruturada em função das circunstâncias, do país onde se encontrava, dos modelos e representações em voga, da opinião dos críticos e do mercado de arte.

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Biografia do Autor

Camila Dazzi, Centro Federal de Educação Tecnológica, RJ

É Doutora em História da Arte pela EBA/UFRJ e possui Estágio Pós-doutoral, com bolsa da CAPES, na Universitá di Napoli Federico II. Professora adjunta do CEFET/RJ.

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Publicado

2019-05-19

Como Citar

DAZZI, C. Modelos de Modernidade. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 3, n. 2, p. 145–160, 2019. DOI: 10.24978/mod.v3i2.4197. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8662989. Acesso em: 26 nov. 2022.

Edição

Seção

Dossiê - O artista em representação