Entre um mundo e o dos Outros

Magia e descolonização na performance museal

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24978/mod.v3i3.4302

Palavras-chave:

Musealização. Descolonização. Magia. Performance museal.

Resumo

O artigo apresenta possibilidades para a descolonização dos processos de musealização utilizando a teoria sobre a magia de Marcel Mauss como instrumento para pensar ritualmente o trabalho técnico de preservação e transmissão de bens culturais. Aplica os conceitos teóricos propostos por Mauss à performance museal em duas instituições distintas: o Musée du quai Branly, em Paris, e o Ilê Obá Ogunté – Sítio de Pai Adão, em Recife, Pernambuco. A partir da observação etnográfica de rituais religiosos e não religiosos nas duas realidades culturais estudadas, traça algumas considerações gerais sobre os processos de profanação nos museus e nos terreiros que caracterizam o rito ocidental da musealização.    

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Biografia do Autor

Bruno Brulon, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Professor de Museologia no Departamento de Estudos e Processos Museológicos – DEPM da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO e do Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio – PPG-PMUS (UNIRIO/MAST).

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Publicado

2019-10-20

Como Citar

BRULON, B. Entre um mundo e o dos Outros: Magia e descolonização na performance museal. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 3, n. 3, p. 243–264, 2019. DOI: 10.24978/mod.v3i3.4302. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8663185. Acesso em: 14 ago. 2022.

Edição

Seção

Dossiê - Canibalismos Disciplinares

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