A origem das megaexposições internacionais e a arte do Brasil no Reino Unido

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/modos.v5i2.8664197

Palavras-chave:

Exposição Internacional de 1862 em Londres, Neoconcretismo, Century city, Tate modern brazilian art today

Resumo

Após o impacto da exposição Magiciens de la terre (1989) e das mudanças geopolíticas que aconteceram depois do fim da Guerra Fria, as megaexposições periódicas de arte contemporânea, como a documenta de Kassel e a Bienal de São Paulo, têm se engajado num esforço para revelar a existência de “múltiplas modernidades”. Um exemplo notável é a exposição inaugural da Tate Modern, em Londres. Century City (2001) re-inscreveu o neoconcretismo nos cânones da história da arte ocidental e a arte do Brasil nas instituições britânicas. Neste artigo, para compreender esse fenômeno contemporâneo, eu me volto ao passado, olhando para a origem dessas megaexposições no século XIX e o seu o papel na definição de hegemonias construídas historicamente no campo das artes. Analiso, portanto, o caso da Exposição Internacional de 1862, em Londres, por ter sido a primeira a utilizar o modo de representação nacional por países em escala mundial. A partir da documentação consultada na National Art Library do Victoria and Albert Museum, reconstruo a primeira representação artística brasileira em Londres, com ênfase na galeria de pinturas. Por fim, eu argumento que o Império do Brasil buscava atender às expectativas cosmopolitas dos organizadores e do público e, ao mesmo tempo, responder às demandas internas que diziam respeito ao próprio processo de formação de uma arte nacional.

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Biografia do Autor

Vinicius Spricigo, Universidade Federal de São Paulo

Professor adjunto do Departamento de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP. Membro do Grupo de Pesquisas ‘Política e Crítica da Arte Contemporânea’ (CNPq).

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Publicado

2021-10-15

Como Citar

SPRICIGO, V. A origem das megaexposições internacionais e a arte do Brasil no Reino Unido. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 5, n. 2, p. 158–176, 2021. DOI: 10.20396/modos.v5i2.8664197. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8664197. Acesso em: 23 maio. 2022.

Edição

Seção

Dossiê - Uma ocorrência recorrente: bienais e exposições periódicas

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