De artistas e abutres

um paralelo com espécimes necrófagos sobre a presença do corpo do animal e o equilíbrio do ecossistema da arte

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/modos.v5i3.8665515

Palavras-chave:

Animal na arte, Artistas, Arte contemporânea, Apropriação, Objeto de arte

Resumo

Animais foram deslocados do ambiente natural, apropriados como as coisas em geral e, ao serem expostos em instituições legitimadas, confirmados como objetos de arte. Embora constatemos a regularidade desses seres em trabalhos artísticos, a temática carece de reconhecimento. Mudanças na abordagem da História da Arte, contudo, favorecem o debate em torno da questão ao atentar para práticas pouco ou quase nunca estudadas, como o emprego do corpo do animal. Ainda assim, os artistas não desistiram de utilizar em seus trabalhos exemplares das mais inusitadas espécies, incluindo aqueles que se alimentam de matéria em decomposição, classificados como necrófagos. Este artigo intenta engendrar um paralelismo entre esses espécimes que, apesar de gozarem de má-reputação, ocupam posição fundamental no ciclo da vida e artistas contemporâneos que desempenham papel estratégico na manutenção do equilíbrio do ecossistema da arte ao fazer uso de animais de toda origem em suas produções.

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Biografia do Autor

Marco Túlio Lustosa de Alencar, Universidade de Brasília

Mestre na linha Teoria e História da Arte pelo Programa de Pós-Graduação em Arte da Universidade de Brasília - PPGAV/VIS/IdA/UnB (2020). 

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Publicado

2021-10-15

Como Citar

ALENCAR, M. T. L. de. De artistas e abutres: um paralelo com espécimes necrófagos sobre a presença do corpo do animal e o equilíbrio do ecossistema da arte. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 5, n. 3, p. 259–287, 2021. DOI: 10.20396/modos.v5i3.8665515. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8665515. Acesso em: 26 nov. 2022.

Edição

Seção

Dossiê - A "virada global" como um futuro disciplinar para a História da Arte