Travessias atlânticas e “arte negra”

contextos, coleções e desafios

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/modos.v6i1.8667206

Palavras-chave:

Arte negra, História da arte, Coleções, Exposições, Colonialidade

Resumo

Protestos contra o racismo, derrubada de estatuas de traficantes de escravos, requisições e promessas de restituição de artefatos africanos aos seus países de origem por parte de museus europeus foram alguns dos eventos que tiveram lugar em 2020. Mais recentemente, vários monumentos e memoriais que valorizavam o colonialismo europeu foram vandalizados ou derrubados na Colômbia no meio de protestos contra a atual administração; o ataque ao monumento a Borba Gato no bairro de Santo Amaro em São Paulo é mais um na lista de ações contra símbolos coloniais. No contexto de persistência das doutrinas sobre desigualdades raciais, esses eventos tornam necessário pensar algumas exposições com maior profundidade. Este artigo analisa algumas exposições de “arte negra” em Nova York e Montevidéu como exemplos da construção de um olhar estetizante, nem neutro nem espontâneo. Essa perspectiva construída foi forjada no início do século 20, no contexto de uma África colonizada, por meio de ações concretas e deliberadas iniciadas por um pequeno grupo de artistas de vanguarda, críticos, colecionadores e marchands. Sua responsabilidade na escolha das obras, nas exposições que organizaram e nas obras que publicaram, aponta para uma construção do “cânone” das artes africanas que sobrevive no Ocidente até hoje.

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Biografia do Autor

Elena O’Neill , Universidad Católica del Uruguay

Docente da Licenciatura em Artes Visuais da Universidad Católica del Uruguay (UCU).

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Publicado

2022-01-04

Como Citar

O’NEILL , E. Travessias atlânticas e “arte negra”: contextos, coleções e desafios . MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 6, n. 1, p. 175–200, 2022. DOI: 10.20396/modos.v6i1.8667206. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8667206. Acesso em: 11 ago. 2022.

Edição

Seção

Dossiê - Arte e diáspora africana: conflitos, cânones, recomeços