O retorno à ilha-memória

imagens e histórias de Gorée entre os artistas da diáspora africana

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/modos.v6i1.8667415

Palavras-chave:

Diáspora africana, Arte contemporânea, Ilha Gorée, Memória da escravidão, Patrimônio

Resumo

O presente artigo toma como base a questão do “retorno à África” a fim de tecer uma leitura sobre um conjunto de obras produzidas por artistas visuais da diáspora negra – entre os quais, Chester Higgins Jr., Ayrson Heráclito, Carrie Mae Weems e Maria Magdalena Campos Pons – que desembarcaram no Senegal e encontraram na Ilha Gorée um dos pontos culminantes de suas jornadas em solo africano. Para tanto, analiso como o emprego de certos recursos narrativos – tais como a contemplação do passado, a continuidade histórica, e a expurgação ritualística – ensaiam um retorno metafórico a esse lugar de memória. Ao longo do texto, demonstrarei ainda como as imagens gestadas nesses ensaios visuais se relacionam com os processos de patrimonialização de Gorée, perturbando a historiografia acerca da escravidão sem, contudo, invalidá-la.

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Biografia do Autor

Sabrina Moura, Universidade Estadual de Campinas

Pós-doc Universidade Estadual de Campinas.

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Publicado

2022-01-10

Como Citar

MOURA, S. O retorno à ilha-memória: imagens e histórias de Gorée entre os artistas da diáspora africana . MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 6, n. 1, p. 564–582, 2022. DOI: 10.20396/modos.v6i1.8667415. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8667415. Acesso em: 11 ago. 2022.

Edição

Seção

Dossiê - Arte e diáspora africana: conflitos, cânones, recomeços