Arte sob ataque

os usos e abusos da arte pelas redes reacionárias durante a censura da exposição Queermuseu

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/modos.v6i1.8667547

Palavras-chave:

Queermuseu, Reacionarismo, Cultura visual, Liberdade de expressão, Censura

Resumo

O artigo aborda o episódio de censura à exposição Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira em 2017. O enfoque se dá para a forma como as redes reacionárias abordam a exposição e mais especificamente as cinco obras que foram as mais atacadas. Em análise estão as obras Cruzando Jesus Cristo com Deusa Schiva (1996), de Fernando Baril, as pinturas Travesti da lambada e deusa das águas (2013) e Adriano bafônica e Luiz França She-há (2013), de Bia Leite, Cena de interior II (1994), de Adriana Varejão, e Et verbum (2011), de Antonio Obá, que foram extensivamente difamadas através das redes sociais. O texto considera o modo como a cultura visual conformadas nas últimas décadas pelas tecnologias digitais tem alterado percepções e considera os riscos que essa condição traz para a garantia da liberdade de expressão e produção artística.

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Biografia do Autor

Márcio Tavares, Universidade de Brasília

Historiador, gestor cultural e curador de arte. Mestre em História pela UFRGS e Doutor em Artes Visuais pela Universidade de Brasília.

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Publicado

2022-01-01

Como Citar

TAVARES, M. Arte sob ataque: os usos e abusos da arte pelas redes reacionárias durante a censura da exposição Queermuseu. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 6, n. 1, p. 18–49, 2022. DOI: 10.20396/modos.v6i1.8667547. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8667547. Acesso em: 27 nov. 2022.

Edição

Seção

Artigos - Colaborações