“Joana Angélica ou a mártir da independência”

história de uma pintura perdida de Firmino Monteiro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/modos.v6i3.8668832

Palavras-chave:

Joana Angélica, Firmino Monteiro, Pintura de história, Independˆência do Brasil, Martírio cívico

Resumo

Entre 1885 e 1887, Antônio Firmino Monteiro pintou no seu ateliê parisiense "Joana Angélica ou a mártir da Independência", que foi apresentada tão logo retornou ao Brasil, em exposições no Rio de Janeiro e em Salvador. O artigo examina aspectos relativos aos contextos de produção, circulação, recepção crítica e aquisição da tela. O trabalho também analisa a escolha do tema do martírio cívico, visando a entender como Firmino Monteiro articulou um programa iconográfico ligado aos temas históricos enquanto manuseava códigos-chave da cultura visual cristã. A pesquisa busca ainda compreender como a representação da morte da heroína da Independência do Brasil na Bahia se inseria no projeto de afirmação de Firmino Monteiro enquanto um pintor de história no final do século XIX. Por fim, faz alguns apontamentos acerca da recepção dessa imagem de Joana Angélica no contexto do culto cívico-religioso dedicado a ela na Bahia.

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Biografia do Autor

Nathan Gomes, Universidade de São Paulo

Mestre em Estudos Brasileiros pela Universidade de São Paulo. Historiador da arte pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

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Publicado

2022-09-12

Como Citar

GOMES, N. “Joana Angélica ou a mártir da independência”: história de uma pintura perdida de Firmino Monteiro. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 6, n. 3, p. 245–272, 2022. DOI: 10.20396/modos.v6i3.8668832. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8668832. Acesso em: 8 fev. 2023.

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Dossiê - Independência ou Morte! tradições e modernidades

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