Notas sobre a encruzilhada

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DOI:

https://doi.org/10.20396/modos.v6i3.8670174

Palavras-chave:

Encruzilhada, Exu, Arte, Política, Imagem

Resumo

Este texto tem por objetivo traçar uma reflexão sobre a exposição Encruzilhada, com curadoria do artista visual baiano Ayrson Heráclito e de Daniel Rangel, realizada no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), entre 18 de abril e 14 de agosto de 2022. Dedicada a Exu, a exposição nos oferece um percurso pelas encruzilhadas desse orixá, mensageiro entre o céu e a terra, e pela ancestralidade e imagens negro-africanas. O caminho argumentativo do texto baseou-se na visita à exposição, no catálogo da mostra e no diálogo com pesquisadores para uma leitura crítica acerca da potência política e fabulativa da imagem e de obras artísticas. Para tratar do trânsito exuístico entre mundos que a exposição convoca a participar, proponho uma reflexão acerca do modo como opera a noção de “encruzilhada-das-imagens”, que, tal como Exu, oscila entre a regra e o desvio, no diálogo com o regime estético e político da arte e sua forma inventiva de constituir cenas de dissenso e de “contra-história”.

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Biografia do Autor

Iago Porfírio, Universidade Federal da Bahia

Doutorando em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia. Pesquisador do Grupo de Pesquisa Nanook, vinculado ao Laboratório de Análise Fílmica da Universidade Federal da Bahia.

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Publicado

2022-09-16

Como Citar

PORFÍRIO, I. Notas sobre a encruzilhada. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 6, n. 3, p. 402–428, 2022. DOI: 10.20396/modos.v6i3.8670174. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8670174. Acesso em: 1 fev. 2023.

Edição

Seção

Ex-posições / Resenhas