Reflexão sobre as estratégias de controle da anemia em gestantes no Brasil

Autores

  • Edna Helena da Silva Machado Universidade de São Paulo
  • Sophia Cornbluth Szarfarc Universidade de São Paulo
  • Denise Cavallini Cyrillo Universidade de São Paulo
  • Elizabeth Fujimori Universidade de São Paulo
  • Célia Colli Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.20396/san.v17i1.8634804

Palavras-chave:

Anemia por deficiência de ferro. Fortificação. Gestantes.

Resumo

Desde 1977, sanitaristas brasileiros estão preocupados com a anemia e suas conseqüências, especialmente entre gestantes. As perdas de capacidades físicas e mentais, dificilmente mensuráveis resultantes dessa má nutrição, implicam altos custos de tratamentos médicos e, principalmente, significativas perdas de capital humano. A fim de controlar esta deficiência, programas de intervenção foram introduzidos no país em 2004 e 2005: a fortificação com ferro das farinhas de trigo e milho e a suplementação profilática para crianças com sulfato ferroso. No entanto, a maioria das poucas avaliações disponíveis desses programas teve resultados inesperados: não houve redução da prevalência de anemia de gestantes atendidas à primeira consulta nos serviços públicos brasileiros, depois de dois anos de fortificação das farinhas com ferro. Este resultado está associado a dois fatores: 1) a baixa biodisponibilidade dos compostos de ferro usados 2) a baixa ingestão de produtos à base de farinha de trigo e de milho devido ao alto preço e/ou hábito alimentar. Os preços do trigo mostram uma tendência de aumento, o que conseqüentemente, levará a diminuição no seu consumo, principalmente entre a população de baixa renda. Uma das metas do Ministério da Saúde é avaliar constantemente as estratégias adotadas visando aperfeiçoar sua implementação, identificar possíveis causas de vieses e buscar alternativas para o controle da anemia e suas conseqüências que afetam tanto a produtividade individual como o desenvolvimento da nação como um todo.

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Biografia do Autor

Edna Helena da Silva Machado, Universidade de São Paulo

Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental, Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Universidade de São Paulo. PRONUT/USP, São Paulo, SP.

Sophia Cornbluth Szarfarc, Universidade de São Paulo

Departamento de Nutrição, Faculdade de Saúde Pública, USP, São Paulo, SP.

Denise Cavallini Cyrillo, Universidade de São Paulo

Departamento de Economia, Faculdade de Economia Administração e Contabilidade, USP, São Paulo, SP.

Elizabeth Fujimori, Universidade de São Paulo

Departamento de Enfermagem em Saúde Coletiva, Escola de Enfermagem, USP, São Paulo, SP.

Célia Colli, Universidade de São Paulo

Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental, Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Universidade de São Paulo. PRONUT/USP. Av. Prof. Lineu Prestes, 580, Bl. 14.CEP: 05508-000. São Paulo-SP. Tel.: (11) 3815 4410.

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Como Citar

1.
Machado EH da S, Szarfarc SC, Cyrillo DC, Fujimori E, Colli C. Reflexão sobre as estratégias de controle da anemia em gestantes no Brasil. Segur. Aliment. Nutr. [Internet]. 9º de fevereiro de 2015 [citado 25º de outubro de 2021];17(1):104-12. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/san/article/view/8634804

Edição

Seção

Artigo de Segurança Alimentar e Nutricional

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