A correção como procedimento de reformulação em chat educacional escrito em espanhol por brasileiros: tipos de operacionalização e marcas

Autores

  • Crisciene Lara Barbosa-Paiva Universidade Estadual Paulista

Palavras-chave:

Correção. Reformulação. Chat educacional. Perspectiva textual-interativa. Ensino de espanhol

Resumo

O objetivo deste artigo foi analisar, nas interações realizadas por escrito dentro de um chat educacional, os tipos de operacionalização para o processo da correção – enquanto procedimento de reformulação, de acordo com a Perspectiva Textual-Interativa. O corpus, constituído por 31 sessões e por 17 participantes (1 professor e 16 alunos), mostrou a presença de quatro tipos de operacionalização da correção: autocorreção autoiniciada, autocorreção heteroiniciada, heterocorreção autoiniciada e heterocorreção heteroiniciada. O maior número de ocorrências foi o da autocorreção autoiniciada. Esse resultado sugere que: i) os participantes, nesse contexto, parecem se preocupar em preservar a auto-imagem, já que a correção não era essencial à compreensão do texto; ii) os escreventes conhecem as regras e, por isso, se monitoram; iii) a própria ferramenta chat contribui para a autocorreção autoiniciada; e iv) a preferência pela autocorreção autoiniciada parece evitar que o professor assuma o papel de corretor do curso de língua. Foram identificados, ainda, padrões de reformulação com e sem marcadores inscritos na materialidade do texto

Abstract

The aim of this article was to analyse in written educational chat interactions the types of operation of correction process as a reformulation procedure according to TextualInteractive Perspective. Our corpus is formed by 31 sessions and 17 participants (1 teacher and 16 students) and four types of correction operations were identified: self-initiated self-correction, other-initiated self-correction, self-initiated other-correction and otherinitiated other-correction. The highest number of occurrences was the self-initiated selfcorrection. This result suggests that: i) the participants in such context seem to worry about preserving the self-image since correction was not essential to text comprehension; ii) the participants know the rules and because of them they monitor themselves; iii) the chat tool itself contributes to the self-initiated self-correction; and iv) the self-initiated selfcorrection preference seems to avoid the teacher’s language corrector function. Patterns of reformulation with and without marks inscribed in the text materiality were also identified.

Keywords: correction; reformulation; educational chat; textual-interactive perspective; spanish teaching

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Biografia do Autor

Crisciene Lara Barbosa-Paiva, Universidade Estadual Paulista

Possui Pós-Doutorado no Exterior (2015, com Bolsa CAPES) pela UNIVERSIDAD DE SALAMANCA, na área de Linguística Aplicada e Língua Espanhola (Espanhol como Língua Estrangeira). Possui 2 (dois) Títulos de Doutorados Plenos (2 Diplomas de Doutor dentro de sua área de atuação acadêmico-profissional e dentro de sua linha de pesquisa): É DOUTORA pela Universidad de Salamanca (Espanha/ com Bolsa CAPES) na área de Linguística, Linguística Aplicada e Língua Espanhola (Espanhol como Língua Estrangeira), inserida dentro do Programa de Doctorado en "Español: investigación avanzada en Lengua y Literatura"; e DOUTORA pela Universidade Estadual Paulista (UNESP - Araraquara, com Bolsa CNPq) em Linguística Aplicada e Língua Espanhola (Espanhol como Língua Estrangeira). Mestre em Linguística Aplicada e Língua Espanhola (Espanhol como Língua Estrangeira) pela Universidade Estadual Paulista (UNESP - Araraquara, com bolsa CNPq e Estágio no Exterior: MESTRADO SANDUICHE (2009, com bolsa da CAPES) na UNIVERSIDAD DE VALLADOLID (Espanha /Bolsa CAPES). Possui Graduação em Licenciatura em Letras (Português- Espanhol) pela Universidade Estadual Paulista (UNESP, campus Ibilce - São José do Rio Preto - Estado de São Paulo).

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Publicado

2016-04-29

Como Citar

BARBOSA-PAIVA, C. L. A correção como procedimento de reformulação em chat educacional escrito em espanhol por brasileiros: tipos de operacionalização e marcas. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 51, n. 1, p. 119–151, 2016. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8645415. Acesso em: 27 jan. 2021.

Edição

Seção

Artigos